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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Bayer defende-se de alegações de venda de produto contaminado na América Latina

22/05/2003 09h24 – Atualizado em 22/05/2003 09h24

NOVA YORK — A Bayer AG, gigante alemã da indústria farmacêutica, defendeu-se nesta quinta-feira de alegações, feitas numa reportagem do jornal The New York Times, dando conta de que teria vendido medicamentos na América Latina e na Ásia com alto risco de transmitir o vírus da Aids.

Citando sua própria análise de documentos, o Times afirmou que, nos 1980, a Cutter Biological, uma unidade da Bayer, continuou vendendo naquelas regiões a versão antiga de um coagulador sangüíneo para hemofílicos quando já oferecia uma mais segura nos Estados Unidos e na Europa.

A Bayer disse em uma nota que suas decisões “basearam-se na melhor informação científica da época e eram consistentes com as normas vigentes”.

A companhia alemã e outros laboratórios farmacêuticos já pagaram centenas de milhões de dólares em acordos para encerrar processos abertos por hemofílicos norte-americanos que disseram ter-se contaminado através do tratamento de coagulação, no início dos anos 1980.

Michael Diehl, um porta-voz da Bayer na Alemanha, declarou que a unidade norte-americana do grupo pagou cerca de 300 milhões de dólares nos Estados Unidos como parte de um acordo total de 600 milhões de dólares honrado por companhias de produtos derivados do sangue, em 1997.

Em razão disso, analistas acreditam que a reportagem desta quinta-feira não deve acarretar em nenhum efeito duradouro sobre o valor das ações da companhia.

Tragédia de vinte anos:

A reportagem do Times afirma que um número indeterminado de hemofílicos asiáticos e latino-americanos foram infectados pelo tratamento mesmo depois que uma versão mais segura já estava disponível.

A denúncia vem à tona quando a Bayer enfrenta cerca de 8.800 ações contra seu remédio anticolesterol Baycol, vinculado a mais de 100 mortes e retirado do mercado pela companhia em agosto de 2001.

A Bayer declarou que o Times estava resgatando um assunto antigo.

“É lamentável que a recente cobertura noticiosa tenha reaberto essa tragédia de quase 20 anos”, disse em uma nota Gunnar Riemann, presidente da divisão de produtos biológicos da Bayer.

O medicamento em questão, o Factor VIII concentrado, era produzido com plasma sangüíneo numa época em que os cientistas não contavam com um teste para detectar o HIV, o vírus da AIDS.

Posteriormente, uma versão mais segura do concentrado era submetida ao calor, eliminando o HIV.

Em um exemplo citado pelo Times, a Cutter pediu a um distribuidor de Hong Kong para “esgotar os estoques” do medicamento não submetido ao calor antes de usar o “mais seguro e melhor”.

Segundo o Times, a versão antiga do remédio foi vendida também em Taiwan, Malásia, Cingapura, Indonésia, Japão e Argentina após fevereiro de 1984, quando começou a comercializar a versão mais segura.

A companhia teria exportado mais de 100 mil frascos do produto antigo após ter começado a vender o mais seguro, de acordo com o jornal.

Tricia McKernan, uma porta-voz da divisão de produtos biológicos da Bayer, declarou nesta quinta-feira que não poderia comentar de imediato os detalhes da reportagem.

A Cutter é atualmente a unidade de produtos biológicos do setor farmacêutico da Bayer, e sua sede está localizada no Research Triangle Park, no estado norte-americano da Carolina do Norte.

(Com informações da Reuters)

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