02/05/2003 09h22 – Atualizado em 02/05/2003 09h22
O juiz Ricardo Machado Rabelo, do Tribunal Regional Federal, indeferiu o pedido de habeas corpus impetrado pelos advogados de Silvia Shirata, mulher do “bicheiro” João Arcanjo Ribeiro. O casal está preso em Montevidéu (Uruguai) desde o dia 11 de abril.
Os advogados João dos Santos Gomes Filho e Desirée Santos Gomes também haviam solicitado à Justiça que anulasse a citação de Silvia por edital, publicada pelo juiz Julier Sebastião da Silva quando ela ainda era foragida. “Como ela está presa no Uruguai, o HC perdeu o objeto”, explicou ontem o juiz. “Em breve, nós iremos a Montevidéu ouvi-la”.
Segundo a assessoria de imprensa da Justiça Federal, o interrogatório acontecerá obedecendo o Protocolo de Assistência Jurídica em Assuntos Penais, firmado entre os países do Mercosul. A Polícia Federal e o Ministério Público acusam Silvia Shirata de integrar um esquema de lavagem de dinheiro arquitetado por Arcanjo.
A PF descobriu que o bicheiro colocou em prática ao menos três esquemas de reintrodução legal no Brasil de cerca de US$ 30 milhões enviados de forma ilícita para o Uruguai, país considerado paraíso fiscal. Em uma das operações, o grupo simulou a venda da Confiança Factoring para a off shore uruguaia Lyman, uma sociedade anônima aberta pelo bicheiro em nome de laranjas.
Pelo controle da Confiança Factoring, a Lyman pagou US$ 10 milhões em dinheiro e bens, entre eles o jatinho Citation X apreendido pela PF. “Era um recurso de origem ilícita que não poderia ser aproveitado no Brasil. Por isso, foi enviado para o Uruguai e reintroduzido legalmente na compra da Confiança Factoring”, explicou o delegado federal Marcelo Vieira. Na prática, Arcanjo estava “adquirindo”, por meio de laranjas, uma empresa que já era dele.
Em um segundo esquema, a Confiança Factoring contraía empréstimos junto às agências de duas instituições financeiras – Deutsche Bank e BankBoston – em Montevidéu, no Uruguai. As operações eram avalizadas pela empresa off shore Aveyron, outra sociedade anônima, em cujo organograma Arcanjo surgia como diretor-presidente.
No último esquema, a Polícia levantou que o shopping center Rondon Plaza contraiu cerca de US$ 10 milhões em empréstimos no Comercial and Financial Bank, também no Uruguai. Como garantia do pagamento, o banco exigia do grupo a aquisição de títulos do tesouro norte-americano, que eram custodiados ao próprio banco. As informações são do jornal Diário de Cuiabá.






