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quinta-feira, 11 de junho de 2026

Fome é por falta de nutrientes, diz Frei Betto

14/04/2003 08h03 – Atualizado em 14/04/2003 08h03

O assessor-especial da presidência da República, Frei Betto, durante visita a Campo Grande, na sexta-feira, considerou a carência de nutrientes como uma das principais características da fome no Brasil. Segundo ele, no Brasil o maior problema é o acesso a apenas um tipo de alimento, situação diferente à da África, onde “a fome tem feição de pele e osso” (ausência completa de alimento). Na sexta-feira à noite, Betto fez palestra no Clube Libanês, em Campo Grande, abordando o programa Fome Zero. Acompanhado do governador Zeca, Frei Betto explicou os objetivos do Fome Zero. Mais uma vez, o assessor-especial de Lula afirmou que, ao contrário de interpretações equivocadas, a iniciativa do governo não é uma atitude paternalista de distribuir cesta básica. “O Fome Zero não é assistencialista”, repetiu. Frei Betto definiu como “uma vergonha” as pessoas não terem acesso a alimentos no Brasil. Segundo ele, “a fome brasileira é mais escandalosa” porque o país é uma das nações que mais têm fartura no mundo. Ele criticou o que chama de “ignorância nutricional” dos brasileiros. Frei Betto citou a China como exemplo de como as pessoas devem trabalhar a alimentação. Além de boa parte da população não ter acesso a variedades de alimentos, Frei Betto disse que no país não há uma “cultura culinária”. Direito animal Comer, beber, dormir e viver são, segundo Frei Betto, necessidades básicas de todos os animais e não apenas dos seres humanos, embora milhões de pessoas morram no planeta todos os anos vítimas de desnutrição. “Nossa luta é para levar aos brasileiros não os direitos humanos, mas os direitos animais”, observou Frei Betto durante coletiva de imprensa, sexta-feira, em Campo Grande. Ele reafirmou que o universo de pessoas que devem ser atendidas pelo Fome Zero é de cerca de 45 milhões de habitantes. Betto argumentou que a realidade brasileira pode não ser tão chocante como as retratadas pelo fotógrafo Sebastião Salgado, da miséria na África, mas o problema da subnutrição é grave. “Em algumas regiões nordestinas, come-se só macaxeira (mandioca) boa parte do ano, em outras só feijão. Não há a ausência completa de alimento, mas da variedade que garante os nutrientes necessários”. Conforme o assessor de Lula, a prioridade do programa Fome Zero não é distribuir alimentos e sim estimular o desenvolvimento econômico e social das famílias. “O que tem de menos importante no Fome Zero é a distribuição de alimentos. Tanto assim que o governo não dá comida, mas o cartão com crédito de 50 reais, que permite à mãe gastar no comércio a sua volta com o que lhe é mais urgente. Isso faz despertar a economia. O que queremos é gerar emprego, renda, independência”, afirmou.

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