14/04/2003 08h31 – Atualizado em 14/04/2003 08h31
O precário Sistema de Saúde nos países vizinhos a Mato Grosso do Sul cria uma situação difícil, que compromete também o atendimento nos hospitais públicos do lado de cá da fronteira. O Ministério da Saúde do Brasil repassa recursos sem contar com a chegada constante de pacientes bolivianos e paraguaios que lotam os hospitais de Corumbá e Ponta Porã.
Tatiana é boliviana, não fala português, mas teve a filha em um hospital brasileiro. Romeo também veio ao Brasil se cuidar.
O único hospital de Puerto Suarez, na Bolívia, é velho. Não atende a casos graves por falta de especialistas. Os pacientes têm que pagar pelos remédios e consultas. Como a maioria da população é pobre, o jeito é cruzar a fronteira. Clara trouxe a mãe da Bolívia para operar pelo Sistema Único de Saúde brasileiro. Ela disse que em Mato Grosso do Sul consegue remédio e cirurgia tudo de graça.
Nem o Ministério da Saúde sabe quanto gasta com atendimento de estrangeiros. Só num hospital na fronteira com a Bolívia de 25 a 30% dos pacientes são bolivianos. E os estrangeiros usam a mesma estratégia. Entram no Brasil, dão endereço de algum parente ou conhecido que mora no lado brasileiro, comprovam residência e conseguem atendimento.
O problema é que o repasse do dinheiro para a saúde é calculado com base na população brasileira. Só Corumbá gasta por ano mais de R$ 700 mil com atendimento a bolivianos.
Nessa fração per capta que o governo federal faz não está contabilizado este atendimento então recai sobre as contas do município.
Contas que a Prefeitura de Ponta Porã, fronteira com o Paraguai, não conseguiu pagar. Conforme a prefeitura, em cada dez partos sete eram de origem paraguaia.
Domingas é paraguaia e quer fazer o parto no Brasil. Ela foi barrada no posto de saúde que por enquanto suspendeu atendimento a estrangeiros.
Atendimento no lado brasileiro, só apresentando carteira de identidade. Para garantir assistência, estrangeiros encontraram uma saída: muitos alegam que os filhos nasceram no Brasil.
A cada campanha de vacinação a fundação nacional de saúde já manda de 10 a 30% a mais de doses para vacinar também crianças estrangeiras. Até a desnutrição das crianças é combatida. A Pastoral da saúde brasileira atravessa fronteiras para cuidar das futuras gerações nos nossos vizinhos.
Os vizinhos municípios de fronteira querem um tratamento diferenciado do SUS, com o reconhecimento da população flutuante de estrangeiros que usa os serviços de saúde brasileiros. Só Mato Grosso do Sul pede um aumento de teto dos SUS de R$ 12 milhões por mês para no mínimo R$ 14 milhões. Quanto ao atendimento a estrangeiros suspenso em Ponta Porã, o prefeito disse que só vai atender casos de urgência que não tenham especialistas nos hospitais de Pedro Juan Caballero no Paraguai. A suspensão do atendimento geral a estrangeiros é por tempo indeterminado.
Fonte: TV Morena





