11/04/2003 13h45 – Atualizado em 11/04/2003 13h45
SÃO PAULO – Depois de terem apresentado um ligeiro recuo em fevereiro, os juros ao consumidor voltaram a subir em março. A taxa média mensal, que era de 8,19% em fevereiro, passou para 8,38%, o que representa uma alta de 2,32%. Esse juro representa uma taxa anual de 162,6%, segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).
Na avaliação de Miguel Ribeiro de Oliveira, presidente da entidade, a possibilidade de redução do juro na reunião de abril do Comitê de Política Monetária (Copom) é muito baixa, já que os índices de inflação estão acima da expectativa. Com isso, a perspectiva de juro mais barato para o consumidor vai sendo adiada. Oliveira diz que se não for possível baixar a taxa Selic em maio, somente no segundo semestre o Banco Central poderá agir.
- O juro básico poderá ser mantido, mas vai demorar mais para começar a cair. Não havia motivos para a alta de março, mas os bancos sempre se antecipam e a adoção do viés foi vista por eles já como um aumento – afirma Oliveira.
À exceção dos cartões de crédito, que já operam com uma taxa elevadíssima, de 10,58% ao mês (234,29% ao ano), todas as demais modalidades encareceram em março. A maior alta, de 6%, foi promovida pelos bancos no setor de CDC, o crédito oferecido principalmente para financiamento de automóveis. A taxa passou de 4% em fevereiro para 4,24% ao mês (64,59% ao ano) em março.
A salgada taxa média do cheque especial teve aumento de 2,43% e passou de 9,48% para 9,71% no período – equivalente a 204,06% ao ano. O empréstimo pessoal também ficou mais caro: a taxa subiu de 6,04% para 6,27% ao mês (107,46% ao ano) – uma alta de 3,81%.
As campeãs do juro alto continuam sendo as financeiras. A taxa média cobrada pelo setor saltou de 12,35% em fevereiro para 12,72% em março, o equivalente a 320,74% ao ano.
Até o comércio, que reclama do fraco movimento das vendas, não manteve o juro para tentar atrair a clientela. O juro cobrado passou de 6,66% em fevereiro para 6,75% no mês passado – 1,35% a mais. Essa taxa representa um juro anual de 118,99%.
Para o consumidor, a recomendação continua a ser fugir do cheque especial e, se necessário, recorrer ao empréstimo pessoal para sair do vermelho, já que o juro cobrado na modalidade é mais baixo.






