11/04/2003 15h19 – Atualizado em 11/04/2003 15h19
Sérgio Arce, 48, mora com a mulher e três filhos pequenos numa casa de apenas uma peça, na aldeia indígena Bororó, em Dourados. Ontem, na hora do almoço, ele e a família tinham apenas arroz e feijão para comer. A família dele pode ser uma das contempladas pelo programa Fome Zero. Uma verba de R$ 5 milhões, destinada às aldeias indígenas do município, deve ser anunciada pelo Governo Federal segunda-feira. O dinheiro será investido para ajudar a reduzir a desnutrição nas aldeias. O problema ainda é grave, segundo o coordenador regional do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) Luiz Eduardo Guimarães Rosa. No caso de Sérgio, a cesta que ele recebeu não dá para a sustentação da família durante todo o mês. “A ‘mistura’ só dá para 15 dias, no restante do mês a agente só come arroz, feijão e mandioca”, reclama. Ele não pode trabalhar porque está machucado. As cestas que ajudaram a amenizar a fome nas aldeias Jaguapirú, Bororó e Panambizinho são distribuídas pelo Governo do Estado. Ao todo oferecidas de 2000 a 2100 cestas todo mês. “Se fossem usadas para o consumo de uma família apenas até que seriam suficientes”, diz o professor de uma escola indígena, Valdivino Souza, 25. “O problema é que geralmente mora mais de uma família na mesma casa”, alerta. Segundo os índios, as cestas são formadas por 10 quilos de arroz, 5 de feijão, 5 de açúcar, 1 de fubá, 1 de farinha, 1 de charque e ainda 4 latas de óleo e 5 de sardinha. Valdo Benites, 32, 4 filhos, conta que a quantidade de alimento não é suficiente para todo o mês. Ele completa a ração diária da família é completada com o que ganha trabalhando em serviços gerais. Outra moradora da aldeia Bororó, Celina Arce, 54, alega que a “mistura” só dá para uma semana. “Acho que o Governo precisa aumentar a cesta”, sugere. Ela mora com mais 5 pessoas. Já no caso de Marlene Gonçalves, 28, a situação é mais complicada. Ela conta que às vezes acaba comendo somente mandioca, juntamente com os 6 filhos. “As crianças choram quando não tem comida. Elas já acostumaram e não querem mais comer mandioca”, revela.





