03/04/2003 16h51 – Atualizado em 03/04/2003 16h51
BRUXELAS – Enfrentando a resistência dos aliados europeus, o secretário de Estado americano, Colin Powell, disse que os Estados Unidos, e não as Nações Unidas, devem liderar a reconstrução no Iraque no pós-guerra.
Terminada a nova guerra no Golfo, Washington quer controlar o Iraque, país rico em petróleo, alegando que há risco para a segurança de seus soldados e que gastou bilhões de dólares para montar um novo governo representativo em Bagdá. No entanto, agora a Casa Branca está convidando os aliados a dividir os custos de ajuda humanitária de emergência.
Em Bruxelas para uma série de reuniões com parceiros na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da União Européia (UE), Powell disse que a ONU deveria ser uma parceira, mas caberia aos EUA e à Grã-Bretanha desempenhar a função de líderes no processo de transição de uma administração civil-militar estrangeira para um governo democrático iraquiano.
- Definitivamente, haverá um papel para a ONU, mas a exata natureza dessa participação ainda terá que ser determinada – disse Powell, em entrevista coletiva à imprensa no quartel-general da Otan.
Os líderes da UE e da Otan saíram de uma série de reuniões com Powell – as primeiras desde que tropas anglo-americanas invadiram o Iraque, há 15 dias – dizendo que viram a possibilidade de um consenso transatlântico sobre uma atuação em potencial da ONU.
Por sua parte, o chefe da diplomacia americana disse que os membros da Otan estão dispostos a considerar algum tipo envolvimento no pós-guerra do Iraque, se houver necessidade. A Aliança militar poderia enviar tropas de paz ao país após o fim da guerra.
- Fico feliz que haja ao menos uma atitude receptiva aqui, que a Otan esteja aceitando considerar isso (um papel) – disse Powell.
Uma fonte alemã disse que o aparente consenso pode não ser tão concreto assim, já que os participantes não foram consultados individualmente sobre a idéia.
- A questão de uma função para a Otan parece mais abstrata e deveria permanecer dessa forma – disse o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Joshcka Fischer, posteriormente.
Principal aliada dos EUA, a Grã-Bretanha insiste na necessidade de se passar o poder para o povo iraquiano, o mais rápido possível. Mas o secretário de Relações Exteriores britânico, Jack Straw, deixou claro que Londres quer que a ONU desempenhe um papel similar ao que teve no Afeganistão, onde organizou a conferência para a escolha do novo de Cabul.





