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sexta-feira, 12 de junho de 2026

O 31 DE MARÇO E A PAZ

01/04/2003 16h09 – Atualizado em 01/04/2003 16h09

Prof. Vilma Galli Dutra

Comemora-se no dia 31 de março, o dia do aniversário da chamada Revolução de 1964. É uma data festejada em todos os quartéis do Exército brasileiro. Isso porque, no entender dos militares, nessa data o Brasil foi salvo da intervenção comunista. Ainda que para isso o povo brasileiro tivesse de pagar com 20 anos de ditadura, onde ocorreu o maior desrespeito às liberdades democráticas que se tem notícia desse País.

Mas por que tudo isso aconteceu? Vejamos. Tudo começou com a nova ordem mundial, que após a 2ª Grande Guerra redesenhou a geografia política do mundo, dividindo-o em duas metades: o lado vermelho, comunista, comandado pela União Soviética, onde participava também a China, e o lado azul, capitalista, comandado pelos Estados Unidos e a Inglaterra. Era a chamada Guerra Fria entre as maiores potencias do mundo.

O Brasil, em 1960, elegeu para Presidente Jânio Quadros que logo renunciou. Ele havia começado uma política que em nada agradava os setores progressistas de dentro e de fora do Brasil. Reiniciou relações comerciais com a China e União Soviética, e acabou por condecorar Che Guevara, revolucionário socialista que lutou ao lado de Fidel Castro na revolução de Cuba, o que irritou os Estados Unidos seu antigo desafeto mais do que econômico.

Após a Renúncia de Jânio Quadros, assume João Goulart (Jango) que fora ministro do trabalho de Getúlio Vargas e havia aumentado o salário mínimo em 100%, o que desagradou a muitos empresários. Após Getúlio Vargas, o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1960) havia aberto o País para as empresas multinacionais, indústria automobilística e construído a nova capital, Brasília. A política nacionalista de Jango, seu sucessor, em nada agradou os empresários. Logo no início de seu governo ele limitou a remessa de lucro das multinacionais para o exterior, continuou a manter relações com o chamado leste europeu, propôs diversas reformas de base e uma ampla reforma agrária, e isso desagradou em muito industriais a latifundiários.

Com medo, a classe média, setores da Igreja e militares, se unem com a criação da Doutrina de Segurança Nacional e a Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Com a ameaça de uma invasão dos Estados Unidos através da secretíssima Operação Brother Sam, que ancorou uma força tarefa no litoral brasileiro para garantir aos militares a tomada do poder, no dia 31 de março de 1964, o General Humberto de Alencar Castelo Branco, pratica o tal golpe militar. Para evitar o derramamento de sangue, pois as tropas da legalidade, de Leonel Brizola, no Rio Grande do Sul, estavam prontas para dar apoio ao Presidente, Jango exilou-se no estrangeiro e os militares tomaram o país, semeando uma longa noite de perseguições e mortes, em especial, para os líderes sindicais, estudantes e parlamentares que foram cassados.

Censura à solta, levou músicos e poetas, jornalista e políticos ao exílio (como por exemplo, Geraldo Vandré, Fernando Henrique Cardoso, Vilson Barbosa Martins, Betinho, Caetano Veloso, Gilberto Gil, entre outros). Após 1964, a América Latina passa a viver um longo ciclo de ditaduras (Argentina, Chile, entre outros). Graças a Deus os Estados Unidos não precisou invadir o Brasil em 1964. Não foi preciso. O povo (ainda que equivocado) deu sustentação ao Golpe Militar. Só que em outros países o Tio Sam vem metendo o nariz, há muito, onde não deve, mandando tropas como fez em Granada, no Afeganistão, no Haiti, no Vietnã, no Kuwait, e agora no Iraque… Até quando? Que o 31 de março faça cada um de nós valorizar a nossa liberdade e a nossa soberania!

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