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quinta-feira, 11 de junho de 2026

Bagdá é atacada pela segunda vez nesta sexta-feira

21/03/2003 16h58 – Atualizado em 21/03/2003 16h58

A capital iraquiana, Bagdá, sofreu nesta sexta-feira o maior bombardeio aéreo das forças lideradas pelos Estados Unidos desde o início da guerra, na madrugada de quinta-feira.

O ataque começou por volta das 21 horas no horário local (15 horas em Brasília). Quase duas horas depois da primeira onda de ataques, novas explosões foram ouvidas no leste de Bagdá. As forças iraquianas responderam com baterias antiaéreas.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, disse em Washington que este é o começo da “guerra aérea” contra o Iraque, uma tática descrita pelo governo americano como “shocking and awe” – choque e pavor.

O general Richard Myers, um dos comandantes da operação militar, disse que várias centenas de alvos no Iraque seriam atingidos nas próximas horas (durante a noite no Iraque).

Um dos palácios do presidente Saddam Hussein, nas margens do rio Tigre, foi atingido nos ataques.

Outros alvos ficam na região oeste de Bagdá, onde fica a sede do serviço de informações iraquiano, a sede do partido governista Baath e o aeroporto internacional.

O correspondente da BBC em Bagdá Paul Wood disse que o bombardeio foi muito mais pesado do que nas duas noites anteriores.

Vários incêndios podem ser vistos pela cidade, mas tanto a eletricidade como as transmissões de rádio e televisão continuaram funcionando depois do ataque.

A cidade de Mosul, no norte do Iraque, também foi alvo de pesados bombardeios de aviões americanos, segundo um correspondente da BBC no local. Ele disse que enormes chamas podiam ser vistas no céu em várias ocasiões.

Um comboio americano que partiu do norte do Kuwait chegou à periferia da cidade iraquiana de Nasariyah, a cerca de um terço do caminho até Bagdá.

Um correspondente da BBC que acompanha o comboio disse que as forças americanas vinham lançando foguetes contra posições iraquianas defendendo um cruzamento chave no rio Eufrates.

Ainda não se sabe se as forças iraquianas responderam ao ataque.

O correspondente da BBC que acompanha o comboio disse que este pode ser um teste para saber se o Exército iraquiano vai tentar evitar o avanço dos americanos e assegurar o controle do cruzamento do rio Eufrates.

Segundo correspondente da BBC, o comboio avançou durante todo o dia sem problemas ou resistência.

Outras frentes

Outras tropas americanas, que se deslocaram a partir do Kuwait para o sul do Iraque, já alcançaram o porto de Umm Qasr, o único de águas profundas do Iraque, localizado no sudeste do país.

Fuzileiros navais britânicos disseram ter obtido controle da península de Al-Faw, onde estão localizadas várias refinarias de petróleo.

O ministro da Defesa britânico, Geoff Hoon, disse que o confronto foi breve e a infra-estrutura estava intacta.

O chefe das tropas britânicas, almirante Michael Boyce, disse que as forças americanas tinham tomado Umm Qasr depois de enfrentar uma resistência maior do que o previsto na fronteira com o Kuwait.

Um correspondente da BBC em Umm Qasr diz, no entanto, que o controle da cidade não é garantido, e que continuaram os confrontos com explosões intermitentes.

O almirante Boyle disse que as forças americanas e britânicas estão agora avançando em direção à periferia de Basra, a segunda maior cidade do Iraque, e que os soldados iraquianos estão se rendendo, segundo ele, “em números significativos”.

O governo americano também informou ter capturado dois campos de pouso iraquianos, segundo eles numa importante operação do leste do país, a 250 quilômetros de Bagdá.

O correspondente da BBC no Pentágono diz que as pistas podem ser usadas para receber reforço americano para uma ofensiva em Bagdá. Além disso, segundo o correspondente, os campos ficam numa área que poderia ser usado pelo Iraque para ataques de mísseis Scud contra Israel.

Vítimas

Não existe informação precisa de quantos iraquianos foram mortos até agora pelas forças americanas e britânicas.

Correspondentes da BBC que acompanham as tropas invasoras dizem ter visto vários corpos de iraquianos, mas falam que não podem estimar o número total de mortos.

Militares americanos disseram que dois fuzileiros navais do país morreram em combate até agora.

Na quinta-feira à noite, oito soldados britânicos e quatro americanos morreram na queda de um helicóptero no Kuwait, mas os militares dizem que trata-se de um acidente não de um conflito.

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