20/03/2003 15h50 – Atualizado em 20/03/2003 15h50
Antes de a guerra começar oficialmente, várias incursões continuaram acontecendo ao longo desta quinta-feira no teatro de operações iraquiano. Caças-bombardeiros F/A-18 Hornet, F-15E e F-16 operando de porta-aviões e de bases nos países vizinhos do Golfo Pérsico continuaram a bombardear posições de artilharia e baterias antimísseis na região Sul do Iraque. As regras de operação anteriores mandavam que estes alvos só fossem atacados se ligassem seus radares e enquadrassem os aviões americanos e britânicos que patrulham a região, o que era considerado um ato de agressão.
Fontes do Pentágono citadas pelo New York Times disseram que os ataques também visaram peças de artilharia de 155 mm transferidas nas últimas semanas pelos militares iraquianos para a região Sul com alcance de 40 quilômetros que poderiam atingir as tropas americanas e britânicas que logo cruzariam a fronteira do Kuwait iniciando a invasão. Também foram destruídos canhões na península iraquiana de Faw capazes de atingir território o Kuwait.
O ataque de hoje com mísseis contra as forças americanas e britânicas na fronteira com o Kuwait foi uma surpresa, porque a inteligência americana não sabia da presença desses armamentos no sul do Iraque. Os iraquianos usaram três mísseis Ababil-100, desenvolvidos pelas suas próprias Forças Armadas, com um alcance de 100 a 150 quilômetros, uma arma que eles foram autorizados a manter por seu baixo alcance. Uma decisão que os americanos devem estar lamentando a essa altura.
Essa falha de inteligência mostra que não houve muitos progressos na coleta de informações desde a guerra anterior, quando o Iraque surpreendeu os aliados com vários ataques de mísseis Scud que a aviação aliada teve enorme dificuldade em localizar, falhando na maior parte das vezes. O quarto míssil utilizado ontem foi um modelo antinavio não especificado pelos especialistas consultados pela agência Reuters. Um sinal evidente de que o Iraque está apelando para o vale-tudo.
Numa entrevista coletiva no começo da tarde, o secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld, informou que ainda não tem uma avaliação do resultado do primeiro ataque realizado ao amanhecer desta quinta-feira em Bagdá. A operação foi um sucesso do ponto de vista da coordenação: 40 mísseis Tomahawk Cruise foram lançados de pontos distantes, uma parte do Golfo Pérsico, mais perto do alvo, e uma parte do Mar Vermelho, bem mais longe, e convergiram sobre os quatro alvos num pequeno intervalo de tempo, junto com os dois caças F-117 vindos de bases em países vizinhos com quatro bombas guiadas especiais para a destruição de bunkers de comando, controle e comunicações.
No caso, o alvo era uma reunião do alto comando iraquiano, possivelmente com a presença do presidente Saddam Hussein. A falta de informações não permite avaliar se a coleta de informações neste caso foi eficaz ou equivocada.





