19/03/2003 07h57 – Atualizado em 19/03/2003 07h57
Assim que a Casa Branca der o sinal verde para o início da guerra ao Iraque, as tropas norte-americanas saberão exatamente o que fazer. A estratégia de combate que será empregada para o ataque ao país de Saddam Hussein inclui o lançamento de três mil bombas guiadas por satélite. A divulgação de informações sobre a pesada ofensiva reforçou em todo o mundo a sensação de contagem regressiva para a guerra.
“Será o maior ataque aéreo de precisão da história das guerras”, disse o general reformado a Força Aérea Americana Thomas McInerney.
Hoje, o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, disse que os Estados Unidos e seus aliados entrarão no Iraque em busca de armas de destruição em massa sem se importarem se Saddam Hussein vai acatar ou não o ultimato dado por Washington para exilar-se.
Fleischer relembrou o ultimato do presidente George W. Bush, dado ontem em um pronunciamento em horário nobre nos Estados Unidos. “O presidente disse claramente que Saddam Hussein e seus filhos têm 48 horas para abandonar o Iraque. O prazo se encerra amanhã às 22h”, repetiu.
No Iraque, Saddam parece não ter se importado muito com as ameaças norte-americanas. De acordo com uma TV local, o líder iraquiano disse que venceria a guerra e que as tropas invasoras seriam derrotadas na sua última batalha. “O Iraque não escolhe seu caminho através dos estrangeiros, nem elege seus líderes por imposição de Washington, Londres, ou Tel Aviv”, declarou.
O secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, numa demonstração de força afirmou que a coalizão que seu país planeja liderar terá 30 países. Em declarações a um grupo de jornalistas, Powell insistiu que mais quinze países já expressaram seu apoio à “coalizão dos voluntários”, a aliança que aportará meios para uma intervenção militar no Iraque.
O maior aliado de Bush, o primeiro ministro britânico, Tony Blair, contabilizou hoje uma forte vitória na Câmara dos Comuns. O parlamento aprovou a moção do governo que autoriza o uso da força contra o Iraque. A emenda prevê que “todos os meios” serão usados na guerra. Na votação, 412 deputados votaram a favor e 149 votaram contra.
Mais cedo, Tony Blair fez uma apaixonada defesa da guerra contra o Iraque. “Quem o fará, e quem chorará amargamente se retiramos nossas tropas agora?”, perguntou o primeiro-ministro, que, pela primeira vez em semanas, foi mais aplaudido que vaiado.
Blair chegou a dizer que seria capaz de renunciar antes de ter que retirar as tropas britânicas do Golfo Pérsico. “Não serei eu quem tomará essa medida”, advertiu.
Estratégias de guerra
De acordo com os funcionários da Defesa, a idéia é convencer o inimigo de que já saiu derrotado de partida, mesmo antes de grandes números de soldados americanos e britânicos invadirem o solo.
Conforme analistas, o início da guerra deve acontecer com o lançamento de mísseis Tomahawk, lançados a partir da frota de navios americanos mobilizados contra o Iraque, mísseis lançados a partir de bombardeiros B-52 e bombas guiadas por satélite, lançadas por bombardeiros furtivos B-2, que vão decolar da base militar Diego Garcia, numa ilha do Oceano Índico, além de outros aviões de guerra.
O analista militar Benjamin Works, do Strategic Issues Research Institute (Instituto de Pesquisa de Assuntos Estratégicos), disse que soldados avançando pelo solo impressionariam mais os iraquianos do que bombas jogadas do céu. “Ataques aéreos não causam choque e medo. Causam destroços e um show pirotécnico,” disse.
De acordo com analistas, o ataque inicial será muito mais potente e preciso do que o que aconteceu em 1991, devido à modernização do arsenal americano.






