19/03/2003 08h18 – Atualizado em 19/03/2003 08h18
Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reúne hoje o ministério para, oficialmente, tratar do projeto de desenvolvimento nacional que fará parte do Orçamento da União e do Plano Plurianual de Investimentos (PPA) para os próximos quatro anos. Mas as atenções de Lula estarão concentradas em dois outros cenários. Internacionalmente, no iminente ataque dos Estados Unidos ao Iraque; internamente, numa cobrança por melhores resultados da equipe, principalmente dos ministros envolvidos com programas sociais.
Ao abrir a reunião na Residência Oficial do Torto, que deve durar o dia todo, Lula terá na cabeça o perfil de cada um, quem vai bem, quem está abaixo das expectativas, quem só cumpre o dever, quem fala demais e quem passa por um tipo de estágio probatório, depois de ser defendido pelo governo, como Anderson Adauto (Transportes) e Walfrido Mares Guia (Turismo).
Os que estão abaixo das expectativas vão ouvir cobranças, ainda que indiretas e discretas. Segundo ministros e parlamentares com trânsito no Planalto, Olívio Dutra (Cidades) ainda não teria um bom plano de trabalho. Roberto Amaral (Ciência e Tecnologia) irritou o presidente ao defender a produção da bomba atômica.
Além disso, Lula negociara com o PSB a indicação de Marcelo Rezende e acabou surpreendido pela escolha de Amaral. Completam a lista José Graziano (Segurança Alimentar), por ter um projeto considerado confuso de combate à fome, Guido Mantega (Planejamento) e Benedita da Silva (Promoção e Assistência Social).
Os que falam demais, segundo Lula, são Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário), Tarso Genro (Desenvolvimento Econômico e Social) e Cristovam Buarque (Educação). Os que apenas cumprem o dever, sem criatividade, são Jaques Wagner (Trabalho), Emília Fernandes (Direitos da Mulher) e Agnelo Queiroz (Esportes).
Bons
No outro lado, Lula avalia que superaram suas expectativas Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) e Gilberto Gil (Cultura). Para ele, Furlan enquadrou-se totalmente no figurino do “caixeiro viajante” que “vende” o Brasil lá fora. Com entusiasmo, diz que seu ministro faz uma viagem ao exterior e, nos contatos, vende US$ 300 milhões, US$ 500 milhões, abrindo mercados nunca antes imaginados. “O homem é um craque”, já chegou a elogiar.
Gil está bem porque não se importou com ataques do PT e do assessor especial de Lula, Frei Betto, e também vendeu o Brasil cultural mundo afora, além de ser “bom papo”. Lula gosta de conversar com ele. Roberto Rodrigues (Agricultura) tem sido elogiado, assim como Miro Teixeira (Comunicações), e Dilma Roussef (Minas e Energia), que foram duros com as agências reguladoras de suas áreas. Lula já mostrou que gosta do trabalho de Ciro Gomes (Integração Nacional).
Também estão dando certo Antônio Palocci (Fazenda), Márcio Thomaz Bastos (Justiça), Marina Silva (Meio Ambiente), Ricardo Berzoini (Previdência), Celso Amorim (Relações Exteriores), Humberto Costa (Saúde), José Viegas (Defesa) e Jorge Armando Félix (Segurança Institucional). São ministros pessoais de Lula José Dirceu (Casa Civil), Luiz Dulci (Secretaria-Geral) e Luiz Gushiken (Comunicação de Governo). (Agência Estado)





