19/03/2003 09h51 – Atualizado em 19/03/2003 09h51
Os preços do petróleo despencaram no mercado mundial nesta terça-feira, enquanto as bolsas de valores européias e americanas subiram, com a expectativa de uma guerra entre Estados Unidos e Iraque.
O índice Dow Jones, que mede o desempenho da Bolsa de Nova York, subiu 0,64%. A Nasdaq, das ações de tecnologia, fechou com alta de 0,59%.
Na Europa, o índice FTSE, da Bolsa de Londres, subiu 0,42%. No Brasil, a Bolsa de São Paulo acompanhou a tendência internacional e fechou com alta de 2,54%.
O Federal Reserve, o banco central americano, manteve nesta terça-feira a taxa de juros inalterada em 1,25%, mas sinalizou que está pronto a reduzir a taxa rapidamente se a guerra no Iraque afetar a economia americana.
Vitória rápida
Apesar da decisão, o Fed não divulgou a análise sobre o estado da economia americana e a tendência para a taxa de juros, como faz todos os meses.
Nos Estados Unidos, o petróleo do tipo light caiu US$ 3,53, para o menor nível dos últimos dois meses, e o barril fechou em US$ 31,67.
Em Londres, o barril de petróleo cru do tipo Brent caiu 7,6% e fechou a US$ 27,25. Durante o dia, a queda chegou a 10%.
Entre os operadores, domina a aposta em uma vitória rápida e fácil dos Estados Unidos, com interrupção breve do fornecimento de petróleo iraquiano e sem estragos aos poços das regiões de Mosul e Kirkuk.
No fim de fevereiro, o preço do barril de petróleo cru nos Estados Unidos bateu US$ 40, nível atingido durante a crise da Guerra do Golfo, em 1991.
“A incerteza acabou. O mercado acha que estamos indo à guerra e vamos ganhar”, disse Peter Gignoux, da Schroder Salomon Smith Barney, à agência Reuters.
Tendência
Apesar da redução dos preços do petróleo nos últimos três dias, a tendência não está clara, segundo operadores do mercado.
As perspectivas são de volatilidade, e as cotações do barril podem voltar a subir rapidamente se a operação militar no Iraque não sair como está sendo planejado.
Há relatórios do setor alertando para a possibilidade de que a integridade de alguns campos de petróleo da Arábia Saudita esteja ameaçada, na medida em que o país tenha que aumentar a produção para garantir o abastecimento.
Outra sombra no horizonte seria o que alguns analistas estão chamando de “cenário maçarico” – o incêndio de poços do petróleo no Iraque.
Há temores de que, nesse caso, o preço do barril possa chegar a US$ 50.
A empresa alemã fabricante de produtos químicos Bayer afirma que os preços do barril de petróleo podem voltar ao patamar de US$ 35 no início da guerra.






