19/03/2003 10h19 – Atualizado em 19/03/2003 10h19
Já foram identificados 2 mil alvos. Tropas terrestres americanas e britânicas avançam rumo ao Norte .
CIDADE DO KUWAIT – Tropas britânicas e americanas concentradas ontem perto da fronteira iraquiana deslocaram-se para posições avançadas, prontas para o ataque militar que pode começar hoje à noite. Soldados estavam de pé antes do amanhecer, desmontando barracas e empacotando o equipamento essencial para a investida rumo ao Norte.
- Finalmente, vamos para algum lugar. Vamos para a guerra – disse, entusiasmado, Robert Vennebush, um sargento de 25 anos, da unidade de engenharia do Exército americano.
Em outro acampamento, soldados da Primeira Divisão de Fuzileiros dos EUA – que encabeçará o avanço rumo a Bagdá – começaram a arrumar seus equipamentos em veículos.
É provável que a primeira fase do ataque seja uma saraivada maciça de mísseis cruise e bombas dirigidas – num total de 3.000 – destinadas a eliminar defesas, atordoar as forças iraquianas e levá-las à submissão. Depois, os EUA planejam adotar um ataque coordenado contra o Iraque, fazendo uso de tropas que tem na região.
- Desde o início, reconhecemos que íamos estar combatendo e desenvolvendo poder de combate mais ou menos ao mesmo tempo – disse o comandante do Exército americano, general William Wallace.
Esta estratégia se aproxima da que foi inicialmente imaginada pelo secretário americano da Defesa, Donald Rumsfeld, que estava ansioso para usar tropas móveis, aerotransportadas, para realizar o ataque – embora apoiadas por poder aéreo maciço – em vez da força tradicional, pesadamente blindada, como teria preferido o Comando Central do EUA, general Tommy Franks.
Todos concordam que o poder aéreo é a chave para esta ação, porque permite os EUA e a Grã-Bretanha lançarem a operação com uma força terrestre muito menor do que necessitariam, em outras circunstâncias.
A Grã-Bretanha está fornecendo 10% do poder aéreo – cerca de 100 aeronaves – que é controlado pelo quartel-general do Comando Conjunto da Força Aérea na base de Príncipe Sultan, na Arábia Saudita. O comandante geral do ar é um general da Força Aérea americana, enquanto o segundo na escala é um britânico, o vice-marechal do ar Glenn Torpy.
Um oficial superior da RAF disse que 2.000 alvos tinham sido identificados dentro do Iraque. Entre os alvos a serem atingidos no primeiro ataque encontram-se as instalações de comunicações com as quais o presidente Saddam pode controlar o uso de armas de destruição em massa que possua. Ele admitiu que, apesar do intenso planejamento e do uso de armas muito mais precisas do que eram há uma década, é certo que haverá baixas civis.
- Não desejamos devastar o Iraque. Faremos o que for preciso para entrar e ocupar o lugar e pegar aquelas armas de destruição em massa. Mas haverá erros, equívocos. Há erros em qualquer guerra. Não quero que você saia daqui pensando que podemos fazer isto sem ferir alguém. Não podemos.
A estratégia coordenada que apoiará os ataques aéreos foi imposta aos EUA, em parte como resultado da recusa da Turquia em permitir que 62.000 soldados americanos e seus blindados abrissem uma frente Norte a partir do seu país e, em parte, por causa do aparente fracasso em preparar e colocar tropas com rapidez. Mesmo agora, três poderosas unidades blindadas americanas ainda estão nos EUA ou na Europa e só chegarão à região em meados de abril. A única unidade pesada a chegar ao Kuwait é e Terceira Infantaria.
Na verdade, os números referentes à força regularmente citados pelo Pentágono são um tanto ilusórios. Embora diga que cerca de 225 mil efetivos americanos estão na região, metade deste número é composto de pessoal na marinha e da Força Aérea. O número real de soldados e fuzileiros chega perto de 120 mil, apoiados por 26 mil soldados britânicos.
Tudo isto significa duas coisas para EUA e Grã-Bretanha: a dependência em face do seu maciço poder aéreo e a importância das primeiras 48 horas. Oficiais mais antigos dizem que os primeiros ataques serão cruciais para determinar o que acontecerá nos dias seguintes. Nestas circunstâncias, a tomada da cidade iraquiana de Basra – tarefa confiada aos britânicos – adquiriu importância cada vez maior. As forças britânicas esperam que a população da cidade, majoritariamente xiita, lhes dê as boas-vindas.
De uma perspectiva de relações públicas, uma ocupação document.write Chr(39)document.write Chr(39)rápida e gentildocument.write Chr(39)document.write Chr(39) da cidade e dos campos de petróleo adjacentes proporcionaria uma imagem que Washington adoraria ver transmitida para o mundo inteiro.
O jornal The Washington Post informou ontem que os militares planejavam levar jornalistas para filmar quaisquer cenas de júbilo assim que as forças britânicas e americanas chegassem. O porta-voz dos Fuzileiros Navais, Chris Hughes, disse:
- A primeira imagem desta guerra vai definir o conflito.






