19/03/2003 10h45 – Atualizado em 19/03/2003 10h45
A poluição dos córregos sempre foi uma das questões que mais afeta o meio ambiente em Dourados. Os problemas estão sendo questionados há anos pelos ambientalistas. Mas apesar de todas as ações impetradas através da Promotoria de Justiça do Meio Ambiente, por enquanto, alguns casos, ainda estão sem solução em função da lentidão nos julgamentos dos processos. A preocupação maior é quanto ao risco de transmissão de doenças graves à população. Em Dourados os principais córregos dentro e fora do perímetro urbano são o Laranja Doce, Água Boa, Rego D’água, Parque Chico Viegas, Parques dos Jequetibás, Olho D’água, Engano, nascente do Córrego da Lagoa e Córrego Laranja Hay. Conforme avaliação do diretor do Iplan (Instituto de Planejamento Urbano), o arquiteto Luiz Carlos Ribeiro, atualmente o córrego que oferece maior risco é Água Boa. Parte dele passa pelo Distrito Industrial. A situação do córrego é precária em função dos resíduos industriais que são despejados em seu leito, trazendo diversos tipos de problemas ambientais. O Curtume Bertin é considerado o maior responsável pela poluição do Água Boa, porque possuiria um sistema de tratamento de esgoto ineficiente. Com isso, os afluentes são despejados praticamente sem tratamento nas águas do córrego. O Ministério Público Estadual já entrou até com uma ação criminal contra o Curtume, mas só agora que iniciaram as primeiras negociações para melhorar o sistema de tratamento de esgoto. Ontem os representantes da empresa estiveram no Iplan e levaram um projeto que visa a readequação do sistema de tratamento de esgoto. “Acreditamos que dessa vez será tomada uma solução definitiva”, disse otimista o diretor. Está semana o Iplan estará analisando o projeto para que a empresa comece a adaptar o novo sistema. Laranja Hay Se por um lado o córrego Água Boa está perto de uma solução, no córrego Laranja Hay a situação é inversa. Ele é considerado o segundo córrego de Dourados que sofre maior degradação. O Laranja Hay recebe há anos todo esgoto da Penitenciária de Segurança Máxima Harry Amorim Costa. A poluição vem matando o córrego gradativamente, bem como os poucos peixes que ainda vivem no córrego. Existe uma ação na justiça em que obriga o Estado a fazer um amplo projeto para ampliar o sistema de tratamento de esgoto, mas até agora não foi julgada pela 6ª Vara Cível de Dourados, onde a ação tramita desde o ano passado. A ação foi impetrada depois que um laudo constatou o alto grau de poluentes que são despejados no leito do córrego. De acordo com Ribeiro, além de risco de matar o córrego, os poluentes vêm oferecendo sérios riscos a saúde pública, uma vez que recebe dejetos de presos doentes, alguns até com Aids. O sistema de tratamento foi construído para atender uma demanda de 530 detentos, mas hoje com a superlotação, a Máxima abriga cerca de mil internos. Os moradores da Vila São Pedro temem o risco de doenças, inclusive aos animais que costumam beber a água do córrego. O esgoto que corre à céu aberto, hoje está coberto pelo mato.






