19/03/2003 14h46 – Atualizado em 19/03/2003 14h46
A falta de água potável no mundo pode encorajar o terrorismo. A idéia foi levantada durante o 3º Fórum Mundial da Água, que está sendo realizado em Kyoto, no Japão.
Mona El Kody, presidente da Unidade de Pesquisa Nacional de Água do Egito, disse que a vida sem o acesso à água potável cria “um ambiente desumano” que leva à frustração e, a partir daí, ao terrorismo.
“Um meio ambiente que não oferece condições básicas de vida é a pior experiência que o ser humano pode ter. Ele fica sem água e sem saneamento básico”, concluiu El Kody.
Segundo El Kody, os Estados árabes são os que mais sofrem com o problema. O Oriente Médio tem acesso a apenas 1% da água potável disponível no mundo, que precisa ser compartilhada pelo correspondente a 5% da população mundial.
Disputa acirrada
A situação na região faz com que as disputas pela água sejam acirradas. Na Cisjordânia, por exemplo, a água potável precisa ser levada em caminhões – sendo bastante racionada.
A situação tende a piorar, garantem especialistas presentes em Kyoto.
Além do consumo per capita de água ser o menor do mundo, muitos países árabes já não têm mais como desenvolver suas fontes.
“Nós usamos muito a água. Não há possibilidade de extrair mais”, afirma Atef Mandy, da ONG Arab Water Vision.
Em 2025, estima-se que os países árabes estejam usando mais do que o dobro da quantidade de água disponível na região.
Os representantes dos países no fórum pediram que mudanças essenciais sejam realizadas logo para combater o problema.
“Se mudanças forem realizadas, a situação pode melhorar logo. Os países árabes precisam fazer mais com menos água”, acredita El Kody.
Ainda durante a conferência, o Banco Mundial foi duramente criticado por exigir que países em desenvolvimento privatizassem os seus serviços de água, como uma condição para o desenvolvimento.
Duas instituições que lidam com o problema da água afirmaram que, ao estimular as privatizações, o Banco Mundial esqueceu das necessidades reais desses países, que passaram a ter serviços caros demais.
O Banco Mundial negou as críticas, dizendo que a privatização nunca fez parte de uma ideologia imposta a esses países. Segundo o banco, a instituição sempre estimulou que governos e empresas buscassem soluções conjuntas para o problema.







