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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Briga de facções provoca mais duas mortes na Máxima

18/03/2003 09h32 – Atualizado em 18/03/2003 09h32

FORA DE CONTROLE – Antônio César Casimiro Virga e Juliano Carreira, presos do Pavilhão 2, foram mortos com mais de 40 golpes de chucho, cada um.

A disputa entre duas facções rivais de presos – o Grupo da Capoeira e o Primeiro Comando da Capital (PCC) – resultou na morte de dois internos do Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande ontem pela manhã, por volta das 8h30min. Antônio César Casimiro Virga, 26 anos, e Juliano Carreira, 30, ambos detentos do Pavilhão 2, foram agredidos a golpes de chucho (uma espécie de punhal artesanal) quando foram abertas as portas das celas, logo que se iniciou o período reservado ao banho de sol.

Essas foram as primeiras mortes deste ano no presídio. Mas o número de vítimas no sistema penitenciário estadual saltou para quatro. Antes, haviam ocorrido dois homicídios na Penitenciária Harry Amorim Costa, em Dourados.

Assumiram as autorias dos homicídios os também internos do Pavilhão 2 Renato Rodrigues de Almeida, 30, e Juliano da Silva Lara, 24. No ano passado, foram 18 mortes, segundo dados parciais da Diretoria de Administração do Sistema Penitenciário.

“Eu ataquei porque ele disse que ia me matar”, justificou Renato Almeida, que confessou ter assassinado Antônio César. “No meu caso, foi porque ele deu um tapa no meu rosto”, disse Juliano Lara, que assumiu a morte de Juliano Carreira.

Foi a diretora-geral de Administração do Sistema Penitenciário (DGSP), Zenóbia da Silva Pedrosa, quem afirmou que os assassinatos ocorreram por conta da disputa do Grupo da Capoeira com o PCC.

“Nós não sabemos quem pertence a qual facção, pois os presos usam códigos. Mas na avaliação de toda a diretoria, esses crimes acontecem por causa da tensão entre grupos rivais”, disse.

Apesar disso, os homicídios não foram execuções frias. Basta verificar o número de ferimentos em cada um dos corpos – Juliano Carreira com 56 perfurações, enquanto Antônio César, 45.

Triplo

Essa é a terceira vez que Renato Almeida se apresenta como autor de um homicídio na Máxima. Ele tem uma condenação de 24 anos de cadeia. Mas responde por três outros processos.

“Em todas as vezes, ele se apresentou logo após o delito e entregou a arma usada”, destacou o diretor do presídio, Oldemar de Oliveira. O outro autor, Juliano Lara, aguarda ser julgado, por crime de roubo à mão armada.

As duas vítimas não tinham condenações. Juliano Carreira respondia por roubo. Antônio César estava sendo processado por receptação e por roubo.

Os dois autores confessos foram autuados em flagrante no recém-criado 3º Distrito Policial, no Bairro Carandá Bosque.

Fome

Tanto o diretor do presídio, Oldemar de Oliveira, quanto Zenóbia Pedrosa descartaram qualquer ligação dos crimes com a greve de fome em curso no Pavilhão da Saúde.

“São setores diferentes do estabelecimento”, acrescentou Zenóbia Pedrosa. Oldemar de Oliveira, ontem à tarde, esforçava por encerrar o manifesto dos detentos. A reivindicação deles é serem transferidos para outro estabelecimento, como o Instituto Penal de Campo Grande (IPCG), que fica ao lado da Máxima.

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