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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Saddam rejeita ultimato e seu filho promete batalha sangrenta

18/03/2003 10h12 – Atualizado em 18/03/2003 10h12

Saddam rejeita ultimato e seu filho promete batalha sangrenta

Agências internacionais

WASHINGTON e BAGDÁ – O presidente do Iraque, Saddam Hussein, rejeitou hoje o ultimato dado ontem pelo presidente dos EUA, George W. Bush, para que o ditador e sua família deixem o país em 48 horas – prazo que se esgota nesta quarta-feira à noite – ou enfrentem um ataque militar. A informação foi dada agora pela rede CNN, que citou a TV estatal do Iraque. Usando uniforme militar, Saddam afirmou que o Iraque sairá vitorioso da guerra contra os Estados Unidos.

O filho mais velho de Saddam Hussein, Uday, pouco antes rejeitou o ultimato e prometeu travar uma batalha sangrenta com os Estados Unidos. “A proposta (de exílio) vem de uma pessoa que não é totalmente capaz ou adequada. A proposta deveria ser de que Bush deixasse a presidência na América junto com sua família”, disse o filho de Saddam, de acordo com um comunicado divulgado por seu escritório. “As mulheres e mães desses americanos que vão lutar contra nós vão chorar sangue, não lágrimas. Eles não devem imaginar que estarão seguros dentro do território iraquiano ou fora dele”, afirmou Uday.

Ontem à noite, Bush deu um ultimato a Saddam e seus filhos Uday e Qusay: deixar o Iraque em 48 horas ou enfrentar um ataque do Exército mais poderoso do mundo. O prazo termina na noite desta quarta-feira.

Num pronunciamento transmitido no horário nobre em rede nacional de TV, Bush disse que as Forças Armadas dos EUA iniciarão a guerra “na hora em que escolherem”. Comandante-em-chefe dos 250 mil soldados americanos e aliados posicionados nas fronteiras do Iraque, Bush disse ao povo iraquiano que “o momento da libertação estava próximo”.

  • Saddam Hussein e seus filhos devem deixar o Iraque dentro de 48 horas. Sua recusa a fazê-lo resultará em conflito militar, que começará no momento de nossa escolha – disse, na Casa Branca.

Bush decretou o fim nos esforços diplomáticos para desarmar Saddam e preparou a nação para sua maior aventura militar desde a Guerra do Golfo, em 1991 – guerra liderada por seu pai contra tropas iraquianas que haviam invadido o Kuwait. O atual presidente também peparou o país para uma guerra interna, elevando o nível de alerta antiterrorismo para laranja (que significa document.write Chr(39)altodocument.write Chr(39)), diante de temores de que os EUA se tornem alvo de atentados em retaliação à guerra contra Bagdá.

Com ar solene e desafiador, Bush justificou em 15 minutos sua decisão de destituir o regime de Bagdá, dizendo que Saddam Hussein e seus aliados representam um perigo para os EUA, “que nada fizeram para merecer estas ameaças”. Ele afirmou que este risco “terá que ser eliminado” e disse que Washington agirá agora porque “o risco da inação é muito maior” que os riscos de uma guerra. Segundo ele, em cinco ou dez anos, o poder do Iraque de lançar ataques com armas de destruição em massa contra outros países seria multiplicado várias vezes.

  • A estratégia de esperar ser atacado primeiro não é autodefesa, é suicídio – afirmou Bush.

O presidente americano se dirigiu também às Forças Armadas do Iraque, pedindo que eles dêem as boas-vindas aos soldados americanos e britânicos, em vez de lutar contra eles.

  • Se a guerra vier, não lutem por um regime moribundo porque isso não vale sua vida.

Ele alertou os militares iraquianos para o risco de serem julgados por um tribunal de guerra se armas químicas ou biológicas forem usadas contra as forças invasoras. Bush disse que os EUA fizeram esforços “pacientes e honrosos” por 12 anos para forçar Saddam a se desarmar, mas disse que o ditador usou a diplomacia “para ganhar tempo e vantagem” e construir armas não-convencionais. Visivelmente contrariado, ele criticou a ONU, cujo Conselho de Segurança resistiu em aprovar uma resolução anglo-americana abrindo caminho para um ataque a Bagdá.

  • A ONU não respondeu por suas responsabilidades, então responderemos pelas nossas.

O presidente disse que um ataque é possível sob a resolução 1441, adotada em novembro do ano passado pelo conselho, e sob resoluções adotadas pela ONU após a Guerra do Golfo.

  • Esta não é uma questão de autoridade. É uma questão de vontade – disse Bush.

Em menção indireta a França, Rússia, Alemanha e outros países que se opuseram à campanha anglo-americana por uma guerra iminente e defenderam a continuidade das inspeções de armas, Bush disse que nenhuma nação pode dizer que o Iraque se desarmou, ressaltando que “isso não acontecerá até que Saddam Hussein seja retirado do poder”.

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