18/03/2003 13h53 – Atualizado em 18/03/2003 13h53
Horas depois de o presidente dos EUA, George W. Bush, dar um ultimato a Saddam Hussein, cresceu a apoio dos norte-americanos a um ataque ao Iraque, mesmo sem o aval da Organização das Nações Unidas (ONU). Uma pesquisa feita pela rede “ABC News” e pelo jornal “The Washington Post”, e divulgada nesta terça-feira, apontou que a maioria apóia a decisão de Bush, critica o desempenho da ONU e teme o aumento de atentados terroristas.
No principal aliado dos EUA na campanha militar, o Reino Unido, a situação é diversa. A maioria reprova um ataque sem consultar o Conselho de Segurança, embora o apoio a guerra tenha crescido. A fissura teve reflexos no próprio gabinete do primeiro-ministro, Tony Blair: cinco membros (incluindo três ministros) renunciaram.
Entre os norte-americanos, o apoio a um ataque vinha crescendo nas últimas semanas (leia a matéria “Plano militar de Bush conquista apoio interno”). O discurso de Bush, em que ele criticou a ONU e deu 48 horas para Saddam e sua família saírem do Iraque ou enfrentarem uma guerra, ajudou a aumentar a aprovação à ação militar.
Segundo a pesquisa do “The Washington Post” e da “ABC News”, feita após o pronunciamento do presidente, 71% dos norte-americanos aprovaram a decisão de partir para o ataque sem o aval da ONU – contra 59% há duas semanas. A mesma proporção (70%) avaliou que Bush fez o possível para tentar angariar apoio de outras nações; 64% aprovaram o modo como o presidente está lidando com o assunto.
Em contrapartida, as críticas ao modo como a ONU tem tratado o assunto subiram bastante. Há três semanas, a sondagem “The Washington Post”/“ABC News” apontou que 50% desaprovavam o desempenho do organismo multilateral; na noite de segunda, após Bush dizer que “O Conselho de Segurança da ONU não cumpriu suas responsabilidades, então nós cumpriremos as nossas”, o grau de desaprovação saltou para 75%.
As críticas, em proporção menor, também se estendem à França, que se tornou o principal opositor dos EUA no Conselho de Segurança; 33% defendem que os EUA punam Paris por não ter apoiado Washington; 20% acham que os EUA deveriam mudar sua relação com a ONU.
Reino Unido
No Reino Unido, o premiê Tony Blair sofreu mais baixas em sua política pró-EUA. O ministro-assistente da Saúde, Phillip Hunt, e o ministro do Interior, John Denham, renunciaram nesta terça, seguindo decisão tomada no dia anterior pelo líder do governo no Parlamento, Robin Cook. “Não apóio esta ação [ataque ao Iraque], e seria hipocrisia para mim permanecer no governo”, disse Hunt. Outros dois assessores do partido de Blair, o Trabalhista, renunciaram às suas funções: o secretário parlamentar do Ministério do Trabalho e da Previdência, Bob Blizzard, e a secretária parlamentar do Ministério do Comércio e da Indústria, Anne Campbell.
A saída dos assessores ocorre no dia em que o Parlamento britânico vota se aprova ou não o envio de tropas para o Iraque. A expectativa é que Blair vença o páreo, segundo a revista inglesa “The Economist”, mas graças ao principal partido de oposição, o Conservador. Não se descarta que mais de 100 dos 410 deputados trabalhistas votem contra a posição do primeiro-ministro.
Uma pesquisa divulgada pelo jornal “The Guardian” oferece munição para os dois lados. A parcela dos britânicos contrária à guerra ainda é majoritária (44%), mas caiu oito pontos em relação à sondagem anterior (52%); o apoio passou de 29% para 38%.






