17/03/2003 14h38 – Atualizado em 17/03/2003 14h38
Uma sondagem do Banco Central mostrou nesta segunda-feira que a mediana das projeções de cerca de 100 instituições financeiras para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — referência do sistema de metas de inflação — caiu de 12,52 por cento na semana anterior para 12,38 por cento.
Foi a primeira queda, ainda que modesta, nas expectativas de inflação desde a semana de 27 de janeiro, quando a previsão subiu de 11,19 para 11,34 por cento. Mas a projeção ainda está muito acima da meta ajustada de inflação fixada pelo governo em 8,5 por cento para este ano.
“Apesar de não ter sido uma queda expressiva, é uma notícia positiva porque mostra um alívio no sentido de a expectativa parar de acelerar. O mercado deve receber isso de forma positiva”, afirmou o economista-chefe do ING, Marcelo Salomon.
Vários índices de inflação mostraram desaceleração a partir de fevereiro, como o próprio IPCA, que recuou para 1,57 por cento no mês passado, após uma alta de 2,25 por cento em janeiro.
Com isso, o mercado reforçou suas apostas na manutenção dos juros na reunião desta terça e quarta-feira do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Desde outubro, a taxa Selic subiu 8,5 pontos percentuais — 1,5 ponto percentual apenas nos primeiros dois meses do novo governo — para 26,5 por cento em uma tentativa de fazer a taxa convergir para a meta.
Uma pesquisa da Reuters divulgada na sexta-feira mostrou que 19 de 25 analistas consultados estimam que a Selic não será alterada, enquanto seis prevêem alta de 0,50 ponto percentual.
MERCADO PREVÊ CÂMBIO MENOR
O levantamento do BC mostrou ainda que o mercado também revisou para baixo sua projeção para a taxa de câmbio no ano, de 3,65 reais para 3,61 reais.
Uma menor apreciação do dólar coloca menos pressão sobre os preços. Em todo o ano passado, a inflação ficou em 12,53 por cento, justamente sob o efeito da alta da moeda norte-americana.
“O mercado está precificando (nesta previsão) um risco-país um pouco menor. O mercado está olhando também para as ações tomadas pelo BC e pelo Tesouro, que deram mais credibilidade para a politica monetária”, disse Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Schahin.
O risco-país vem caindo há semanas e, nesta manhã, estava em 1.104 pontos-base ou 11,04 pontos percentuais acima dos títulos do Tesouro norte-americano.
Para março, as instituições projetam um IPCA maior do que na semana anterior. A estimativa foi elevada de 0,87 por cento para 0,90 por cento, o que Oliveira classificou de “desprezível”. “Não acho que isso tenha alguma relevância”, afirmou.
A previsão para abril e para 2004 foram mantidas, em 0,70 por cento e 8,0 por cento, respectivamente.





