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quarta-feira, 13 de maio de 2026

BRASILÂNDIA:Oleiros reivindicam da Cesp construção de Igreja

06/03/2003 14h13 – Atualizado em 06/03/2003 14h13

Um grupo de reassentados do município de Brasilândia, Mato Grosso do Sul, está reivindicando a Companhia Energética de São Paulo-Cesp a continuidade do projeto de construção do prédio de uma igreja num local onde vivem cerca de 200 famílias de oleiros que foram atingidas pelas águas da hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta (ex-Porto Primavera), no rio Paraná.

A iniciativa partiu da representante da comunidade católica do reassentamento João André, Maria Conceição da Silva Gomes e do presidente da Associação ABARROS, Paulo José da Graça, que solicitam através de correspondência enviada no dia 26 de fevereiro último, que a CESP agilize o processo de construção da igreja no local.

Segundo essas lideranças, há mais de dois anos aquela comunidade está sendo privada de ter um local apropriado para praticar a catequese, missas, novenas, terços e sacramentos, sem os quais a comunidade se sente bastante prejudicada no seu convívio e com a paz.

Não é a primeira vez que os moradores do reassentanto João André fazem semelhante reivindicação. Em abril do ano passado, outra correspondência foi enviada a Daniel Salatti, então responsável pelo departamento de Meio Ambiente da concessionária elétrica paulista. Só que até agora, reclama dona Maria “Baixinha”, como é carinhosamente conhecida pela comunidade onde vive, não tivemos resposta no sentido de iniciar essa obra compensatória tão importante para nós.

Parta piorar as coisas, escreveu ela ao presidente da Cesp, o ônibus que transportava a comunidade local para participar das missas e celebrações de domingo na igreja matriz da sede do município, distante cerca de 18 km do reassentamento, ele foi retirado de circulação, o que dificultou ainda mais a vida daqueles acostumados a ter uma vida religiosas há tantos anos.

Um pouco da história:

Três igrejas católicas ao longo do rio Paraná, com a inundação do lago da hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta, foram demolidas pela Cesp. A mais nova, a capela do Senhor Bom Jesus foi inaugurada em 1997 e estava localizada no km 10 da estrada municipal BL-15 que margeava o rio Verde. Construída na propriedade de Luis Braulino e Antônia, carinhosamente conhecida como Tunica, não chegou a completar um ano de existência e o sonho de Elisa Angeliere Sutiro que gentilmente doou a imagem do Bom Jesus para a capela, literalmente foi levado pelas águas.

As outras igrejas que a comunidade do antigo Porto João André perdeu foram a capela Nossa Senhora Aparecida, do Iate Clube Rio Verde que foi inaugurada em 1981 no terreno de propriedade de Luiz Bolonhese e a capela Nossa Senhora da Graças, localizada na margem direita do rio Paraná, na sede do Porto João André. Essa última era a igreja mais antiga de Brasilândia, considerado verdadeiro marco histórico na região. Mantida graças à dedicação de Maria “Baixinha”, 57 anos, oleira e líder comunitária dos ribeirinhos da região, sua inauguração data da década de 1960, sendo anterior a própria fundação de Brasilândia. Dia 21 de março de 1998 foi à última vez que aquela comunidade se reuniu contando com a presença do Padre Lauri Bósio e o Bispo D. Izidoro Kosinski que ministrou o sacramento do Crisma a um grupo de 20 jovens e adultos.

Com o pedido dirigido a Presidência da CESP, a comunidade espera que as obras que foram interrompidas ainda no ano passado, recomecem dando prioridade para a construção de seu espaço religioso.

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