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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Termoelétrica pode tornar-se inviável e até perigosa

18/02/2003 17h25 – Atualizado em 18/02/2003 17h25

A Usina Termoelétrica de Três Lagoas, após testes iniciais das quatro turbinas de geração de energia, começou a despertar a polêmica discussão sobre a viabilidade financeira e a possibilidade de alto risco ambiental de um investimento na ordem de R$ 250 milhões.

Nos primeiros testes, foi detectado superaquecimento, devido a falha no sistema de resfriamento das turbinas. Por esse motivo, está sendo necessários estudos para a solução do grave e inesperado problema, a inauguração da Termoelétrica foi adiada para julho, em data ainda a ser marcada.

Se o problema de superaquecimento não for solucionado e se o preço do gás boliviano continuar subindo, acompanhando a alta do dólar, todo o empreendimento pode ir por água abaixo, transformando-se “num grande elefante branco, de notável apreciação paisagística, às margens do grande Lago de Jupiá”, ironizou um ambientalista, preocupado com as conseqüências inevitáveis e desastrosas do possível fracasso.

O projeto inicial da Termoelétrica de Três Lagoas já foi reduzido com o cancelamento da segunda fase, que previa a construção de mais duas turbinas. Quatro já estão instaladas e em fase de testes.

O cancelamento do projeto da segunda fase foi anunciado pela direção da Petrobrás, no final do ano passado.

SOBRA DE ENERGIA

Um dos fatores que também está colocando um freio à inicial empolgação de construção de termoelétricas é a volta da sobre oferta de energia elétrica. Na verdade, com o enchimento dos lagos e represas, proveniente das chuvas, a geração de energia voltou ao seu patamar de normalidade e até em condições de se afirmar que hoje estamos com sobra de energia.

Com isso, o Programa Prioritário de Termoeletricidade (PPT), criado em situação de crise de energia, no ano de 2001, está paralisado e em vias de ser engavetado, devido ao seu alto custo.

A Medida Provisória número 64, que previa investimentos e subsídios de R$ 500 milhões anuais para o setor não foi sequer regulamentado pelo Ministério da Fazenda.

Cícero Leite, presidente da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), em entrevista ao CanalEnergia, fez a seguinte avaliação: “nós não podemos voltar todas as nossas expectativas para criar uma matriz energética, baseada na termoeletricidade. Isso é ilusão”.

AMBIENTALISTAS

Os ambientalistas da região, a exemplo das cidades paulistas de Sorocaba, Jacareí, Cubatão e Santa Branca, não param de levantar a possibilidade de sérios riscos ambientais, decorrentes do funcionamento das termoelétricas.

O simples anúncio de construção de uma termoelétrica em Santa Branca concentrou mais de três mil pessoas, numa audiência pública, posicionando-se radicalmente contra a eventual iniciativa.

A degradação do meio ambiente e possíveis danos à saúde pública, prejudicando a qualidade de vida da população foram os principais e mais convincentes argumentos.

A queima do gás para aquecimento das caldeiras, que formam o vapor que irá acionar as turbinas para a geração de energia, provoca a liberação de gases poluidores, altamente tóxicos, segundo denunciam os ambientalistas.

“A termelétrica vai jogar no ar toneladas de poluentes todos os dias, como gases óxidos de nitrogênio e hidrocarbonetos, causando o aumento das doenças, como por exemplo, os milhares de casos de asma, bronquite e câncer, gerados pela poluição do ar, atingindo principalmente crianças e idosos”, comentou um dos líderes do movimento contra a termelétrica de Cubatão, Moésio Rebouças.

O então governo FHC falou muito da mudança da matriz energética, por meio da construção de termelétricas usando como combustível o gás natural vindo da Bolívia. O grande argumento do governo era que as termelétricas são mais rápidas de serem construídas, estão próximas dos centros de carga e usam o gás natural, que é uma energia limpa, que não polui. Será mesmo?… esta é uma questão que merece ser amplamente mais discutida.

Hoje, o centro das discussões ainda continua sendo a inviabilidade econômica dos empreendimentos. Prova disso, são os sucessivos adiamentos da conclusão dos projetos em andamento, como por exemplo, a usina termelétrica de Três Lagoas.

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