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Três Lagoas
quarta-feira, 13 de maio de 2026

Hanseníase continua sendo problema de saúde pública

09/02/2003 17h26 – Atualizado em 09/02/2003 17h26

A Hanseníase ainda continua preocupando as autoridades ligadas à saúde pública municipal. O número de casos, 48 no ano de 2002, apesar de apresentar um quadro decrescente, ainda demonstra que Três Lagoas está ainda longe das metas propostas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é manter a doença sob controle até chegar ao registro de apenas um caso para cada grupo de 10 mil habitantes. Essa meta era prevista para ser atingida no ano de 2000.

Segundo os relatórios do Programa Municipal de Controle e Eliminação da Hanseníase, de 1998 para cá, o número de casos vem diminuindo. Até então, a Hanseníase não constava nos programas municipais de saúde, mas era apenas controlada diretamente pelo Ministério da Saúde, através das Secretarias Estaduais.

Nestes cinco anos, o quadro da doença foi o seguinte: 80 casos detectados em 1998; no ano de 1999, esse número baixou para 65; no ano 2000, foram registrados 49 novos casos; no ano de 2001 os números detectados voltaram a subir para 55; e, no ano passado, a Gerência Municipal de Saúde voltou a detectar mais 48 novos casos de Hanseníase.

Junto com a municipalização da saúde, ocorrida em 1998, foi também criado o Programa Municipal de Controle e Eliminação da Hanseníase, no Centro de Especialidades Médicas (CEM). O programa conta com uma especialista dessa patologia, a médica dermatologista, Maria Angélica Gorga. Além dela, o programa também possui um fisioterapeuta e um auxiliar de enfermagem.

A razão do programa contar com um fisioterapeuta é que a doença, dependendo do estágio em que se apresenta, causa inflamação e fortes dores nos nervos. “Através da fisioterapia, se realiza o trabalho de prevenção de incapacidade, diminuindo assim a possibilidade de resultar em seqüelas”, explicou Maria Angélica.

“Hoje, Três Lagoas é referência nas campanhas e tratamento da Hanseníase, graças ao apoio que o prefeito Issam Fares tem dado ao programa municipal de saúde”, assegurou a dermatologista.

NÃO EXISTE VETOR

Não existe vetor de transmissão da Hanseníase. O contágio se processa através do ar, no convívio contínuo com uma pessoa portadora da doença. Esse contágio é mais propício em pessoas de baixa defesa imunológica, segundo informou a médica Maria Angélica.

O Brasil é o segundo país do mundo em incidência de casos da doença, perdendo somente do populoso país da Índia. Por esse motivo, a OMS tem viabilizado recursos para aquisição de medicamentos, usados no tratamento da doença e para a realização de campanhas educacionais de conscientização.

“Essas campanhas de esclarecimento e de prevenção já estão dando resultados positivos, entre nós”, disse a médica. Ela contou que uma criança, ao ver sua avó tomando banho, percebeu que ela possuía algumas manchas nas costas.

“A própria criança convenceu a avó a procurar o CEM para ser examinada e tratada, porque até então ela não estava dando importância àquelas manchas na pele. Com a participação dessa criança, a doença foi detectada e tempo e curada”, contou, como exemplo, Maria Angélica.

Doença tem cura, mas exige tratamento na sua fase inicial

A Hanseníase tem cura, mas o ideal é que a doença seja detectada na sua forma inicial, antes que avance e possa deixar seqüelas inevitáveis, segundo explicou a dermatologista.

“Pelo fato de os sintomas nem sempre serem visíveis, as pessoas pouco dão valor à gravidade da doença”, disse Maria Angélica. Por esse motivo, há necessidade de constantes campanhas de conscientização e de esclarecimentos sobre a Hanseníase, incluindo nessas campanhas a classe médica, educadores e os agentes comunitários de saúde. Para isso, a Gerência Municipal de Saúde patrocinou, já por duas vezes, a vinda à cidade do médico, especialista e pesquisador, Dilton Opromola, do Instituto Lauro Souza Lima, de Baurú (SP).

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