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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Grupos de combate à Aids pedem saída de Kelly Key de campanha contra a doença

07/02/2003 11h53 – Atualizado em 07/02/2003 11h53

A cantora Kelly Key tornou-se alvo de ativistas de organizações não-governamentais de luta contra a Aids, depois de ser escolhida protagonista da nova campanha de prevenção à doença do governo federal. As ONGs afirmam que a cantora não serve para dizer às jovens que devem usar preservativo.

Numa carta ao Ministério da Saúde, ONGs de 15 estados reclamaram da escolha de Kelly Key. As justificativas são duas: a cantora não teria identificação com as jovens de todo o país, apenas com as do Rio e de São Paulo, e as músicas de Kelly Key e sua postura seriam associadas ao “desrespeito às relações amorosas e sexuais”. “Questionamos o perfil da artista escolhida, por estarem agregados à sua imagem valores que procuramos desconstruir cotidianamente nas últimas décadas, como ‘objetificação’ do corpo, sobretudo o da mulher”, afirmam as ONGs. A carta, em outro trecho, afirma que a imagem da cantora “propõe uma pseudo liberdade sexual, onde o homem é o oprimido e a mulher é a opressora.”

— O discurso de prevenção não surtirá efeito com a Kelly Key — afirma Solange Rocha, representante da comissão nacional de Aids no Nordeste.

A reação das ONGs não surtiu efeito. Apesar de terem pedido que a campanha fosse cancelada, o ministério confirmou que ela deve entrar no ar no dia 14. No filme para a TV, Kelly Key aparece em uma farmácia enquanto dois adolescentes especulam sobre o que ela deveria comprar. No fim, ela pergunta pelas camisinhas. Para o rádio foi feito um jingle com a música “Baba”. O slogan da campanha é “Sexo sem camisinha? Só olha e baba, baby”.

A escolha da cantora pela Coordenação de DST e Aids do ministério tem justificativas técnicas. No fim do ano passado, o boletim epidemiológico da Aids mostrou que o primeiro grupo etário em que as mulheres superaram os homens em número de casos de Aids foi entre 15 e 24 anos.

Em uma pesquisa, o ministério descobriu que o maior problema para as adolescentes é impor o uso do preservativo. A idéia da equipe que planejou a campanha é aproveitar a postura de Kelly Key como uma jovem que faz valer sua vontade. A outra justificativa é de que a cantora tem fãs justamente na faixa que o ministério mais quer atingir: adolescentes das classes C e D.

— A reação me surpreendeu muito porque não faz sentido. Acho que estão confundindo a idéia que estamos pretendendo passar com uma discussão mais profunda, de direitos da mulher, que não cabe nessa campanha — disse o coordenador de DST e Aids, Paulo Roberto Teixeira.

O coordenador lembra que o ministério já usou outras artistas, como Cláudia Jimenez e Ivete Sangalo, e nunca sofreu críticas.

O cachê de Kelly Key, que teria sido de R$ 54 mil, foi doado a uma instituição que cuida de crianças no Rio:

— Aceitei fazer a campanha porque sou cidadã, porque sou mãe e me preocupo.

Fonte: Globo News

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