18/12/2002 13h30 – Atualizado em 18/12/2002 13h30
WASHINGTON – Uma nova vacina contra a gripe, sob a forma de spray nasal, pode ser segura apenas para algumas pessoas, segundo cientistas do governo dos Estados Unidos.
Em vez das dolorosas injeções no braço, a vacina FluMist oferece o conforto de uma pulverização nas narinas, mas está dividindo os consultores do FDA (Food and Drug Administration), órgão federal que aprova a produção e comercialização de medicamentos e alimentos.
Embora muito esperada, a FluMist não provou ser segura para a maioria das pessoas que necessitam da vacina contra a gripe ou que precisam de uma opção que não cause dor – bebês, idosos, portadores de asma ou outras doenças crônicas.
A FluMist foi inicialmente criada na esperança de dar aos bebês uma vacina sem agulhas, mas os pesquisadores descobriram que ela parece aumentar o risco de ataques de asma em crianças menores de 5 anos.
Em sua segunda tentativa de conseguir a aprovação do FDA em dois anos, o fabricante da vacina adiou seus planos de vender a FluMist para bebês, dizendo que seu público-alvo seriam pessoas dos 5 aos 64 anos.
Os consultores do FDA, porém, jogaram um balde de água fria no novo plano, na terça-feira, recomendando a aprovação da vacina apenas para a faixa dos 5 aos 49 anos.
Eles concluíram que há poucas evidências de que a FluMist proteja pessoas de 50 anos ou mais – uma idade em que o sistema imunológico começa a enfraquecer.
Fica a pergunta
Agora, a pergunta é se o FDA, que não é limitado pelas recomendações de seus consultores, vai dar seu aval a uma vacina com tantas restrições.
Se o fizer, as incertezas vão limitar muito a freqüência com que os médicos oferecerão a FluMist, em vez das injeções que 70 milhões de norte-americanos tomam anualmente.
A maior pergunta que ficou sem resposta: a FluMist é tão boa quanto a injeção?
A nova vacina é feita com o vírus da gripe vivo, mas enfraquecido. Já as injeções em uso atualmente são feitas com o vírus morto.
A MedImmune, que fabricou a nova vacina, não comparou as duas.
Alguns especialistas dizem que, sem esses dados, os médicos não saberão que produto oferecer aos seus pacientes – caso a FluMist seja enfim aprovada.
“Algumas questões serão realmente problemáticas”, concordou Dixie Snider, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças.
A gripe mata 20 mil norte-americanos por ano e causa a hospitalização de 100 mil.
Aqueles que correm mais riscos com as complicações da gripe – e que mais precisam da vacina – são pessoas com mais de 65 anos e as que têm doenças como asma e problemas cardíacos.
Este ano, pela primeira vez, os pediatras estão sendo encorajados a vacinar bebês e crianças pequenas, que são internados com gripe quase tanto quanto os mais velhos e são os principais transmissores do vírus para seus avós e também nas creches.
Especialistas buscam há muito tempo uma vacina que não seja aplicada através de injeções, na tentativa de persuadir mais pessoas a buscar a imunização anualmente.
Seguro para crianças?
A vacina nasal atua estimulando o sistema imunológico através do mesmo tecido do nariz em que o vírus da gripe ataca.
Mas em julho de 2001, consultores do FDA impediram a venda da FluMist alegando que a vacina ainda não havia comprovado sua segurança para administração em crianças.
Esta semana, a MedImmune voltou ao assunto.
A vacina mostrou 93 por cento de eficiência na prevenção da gripe num estudo com 1.600 crianças saudáveis, com idades entre 15 meses e 6 anos.
Os efeitos colaterais verificados foram coriza, dores musculares e febre, já esperados devido à exposição ao vírus enfraquecido.
Mas 1,5 por cento das crianças abaixo de 5 anos que receberam a FluMist tiveram ataques de asma ou tosse como a da asma, índices quatro vezes mais altos do que os verificados entre as crianças que receberam placebo, segundo o FDA.
Então, a MedImmune decidiu se concentrar em crianças maiores de 5 anos, que não pareçam ter risco de asma – muito embora, se o FDA liberar a venda da vacina, alguns médicos possam dá-la a crianças menores, de qualquer forma.
Em adultos
A vacina não se mostrou tão promissora em adultos. Num teste, 4.561 adultos saudáveis e trabalhadores, com idades entre 18 e 64 anos, receberam a FluMist ou placebo em spray, relatando em seguida os sintomas aos pesquisadores.
Aqueles que receberam a vacina estavam tão propensos a ter os sintomas de uma gripe quanto os que não foram vacinados.
Mas a MedImmune disse que a vacinação reduziu em 17 por cento os sintomas mais graves, além de ter diminuído os dias de trabalho perdidos e as visitas ao médico.
Mas o FDA disse que a FluMist não protegeu pessoas entre 50 e 64 anos dos sintomas da gripe.
O fabricante alegou que, mesmo assim, essas pessoas não ficaram tão doentes quanto as que não foram vacinadas.
Mas os consultores do FDA finalmente disseram que a empresa não provou que a FluMist deveria ser administrada àquela faixa etária.
Outra grande preocupação: crianças que tossem podem transmitir o vírus da FluMist, podendo contaminar seus avós ou colegas de escola que sofram de asma e que não tenha sido vacinados contra a gripe.
Fonte: Associated Press




