17/12/2002 12h21 – Atualizado em 17/12/2002 12h21
O pequeno comerciante, Gonçalo de Melo, de 55 anos de idade, estabelecido no distrito Nova Porto XV de Novembro, em Bataguassú, fez várias denúncias de eventuais arbitrariedades cometidas por policiais militares.
Melo é proprietário de um pequeno bar e, segundo ele, vive sofrendo constantes represálias de policiais militares, lotados no destacamento local da PM.
Segundo o relato que fez à reportagem do Diário MS, tudo começou quando sua família se mudou da cidade de Jundiaí (SP) para Nova Porto XV de Novembro, em agosto de 2001. Ele já era morador nessa localidade, mas mudou-se para Jundiaí, retornando a localidade tempos depois, passou a morar em casa de familiares, para depois montar seu bar e trazer sua família de volta.
Por ocasião da mudança para a nova casa, o filho de 19 anos de idade, Juceí Souza de Melo, carregava dois utensílios domésticos, transportando-os em cima de uma mobilete. A viatura da PM chegou, abordou o jovem, revistou-o e apreendeu sua motocicleta, ofendendo-o. O ciclomotor ficou retido no destacamento policial por mais de 15 dias.
Humilhado e revoltado com a arbitrariedade, em que foi submetido Juceí retornou à cidade de Jundiaí, abandonando sua família, contou Melo, demonstrando tristeza e saudade do filho, que já era amparo para o casal.
ARBITRARIEDADES
Na via pública, em frente ao bar do Melo, não existe qualquer tipo de sinalização que impeça parada ou mesmo que demonstre lado correto de estacionar os veículos. No entanto, segundo o comerciante, todo e qualquer veículo, que parar ou estacionar em frente ao seu bar, está sujeito a ser abordado e revistado pelos policiais militares e até recolhido para minuciosa vistoria.
Essa arbitrariedade vem acontecendo regularmente com veículos de turistas e pescadores, segundo denunciou Melo. “As pessoas ficam totalmente chateadas com tais atitudes da polícia e não retornam mais ao local”, disse ele.
Tempos atrás a reportagem, também já foi vítima de tais procedimentos. O correspondente do Diário MS, Ricardo Ojeda parou seu carro, em frente à praça da igreja, para tirar algumas fotos de peças artesanais, quando foi abordado por um policial militar. Ojeda argumentou que estava apenas fazendo algumas fotos, e não havia nenhuma placa que indicava que o veículo estivesse parado de forma irregular. A explicação não convenceu o policial, que aplicou uma multa.
TIROS
Gonçalo de Melo conta que recentemente viu um pescador, que estava na Toca do Peixe se acidentou com um anzol que ficou preso em seu braço. Em busca de auxílio, um cidadão conhecido como Valdemar Pedreiro o socorreu se oferecendo para retirar o anzol, com uma faca e um alicate. Quando iniciava o procedimento, o policial PM Paulo Roberto dos Santos, o Paulão apareceu gritando com Valdemar, chamando-o de “para com isso negão”, e não sendo atendido puxou de sua arma efetuando dois disparos para o chão, inclusive uma ricocheteando no chão, e quase atingindo outro cidadão que estava perto do local. Quando o PM descobriu do que se tratava, apreendeu a faca do Valdemar Pedreiro.
Gonçalo afirma que está sendo perseguido pelos policias. “Prova disso foi a apreensão do meu carro, sendo que, nesta ocasião, até eu fui preso. Os PMs alegavam que eu estava embriagado. Mas como eles podem provar isso, sem não tinha sequer um aparelho de bafômetro” denuncia.
Gonçalo diz que faz a denúncia simplesmente por que não deve nada a justiça, e nem aos policiais. “Sou um homem pobre, trabalhador, não devo nada a ninguém, graças a Deus. A polícia tem é que nos dar segurança e não atemorizar e perseguir cidadão”, finaliza.




