17/12/2002 16h37 – Atualizado em 17/12/2002 16h37
A Argentina conta com uma superfície total de florestas nativas superior a 33 milhões de hectares mas, em quase um século perdeu mais de dois terços desse recurso natural, de acordo com um relatório oficial divulgado hoje.
Em 1914, as florestas nativas ocupavam 106 milhões de hectares do território e atualmente esse número caiu a 33.190.442 hectares, disse o secretário de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Carlos Merenson.
No ato de apresentação do Primeiro Inventário Nacional de Florestas Nativas, o funcionário destacou seu “enorme valor histórico”, já que nunca se tinha feito no país um registro completo e detalhado sobre o patrimônio florestal da Argentina.
Depois de explicar que a importância das florestas está em que ali se encontra cerca de 70% da diversidade biológica do planeta, sustentou que “se estão perdendo numa velocidade impressionante”.
“No hemisfério sul se estão perdendo cerca de 30 hectares por minuto de algúm recurso que, além de sua relevância do ponto de vista natural, tem um grande potencial para o desenvolvimento econômico e social”, assinalou.
Merenson lembrou que na Argentina a Lei de Defesa da Riqueza Florestal foi aprovada em 1948 e impunha a obrigação de elaborar um mapa florestal do país e mantê-lo atualizado.
“Demoramos mais de cinco décadas a cumprir isto, mas não devemos pensar no passado, mas em como faremos para proteger nosso patrimônio florestal no futuro”, assinalou.
O inventário faz parte de um projeto do Governo argentino que contou com financiamento do Banco Mundial e foi feito pela Secretaria de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável em colaboração com um consórcio formado por empresas privadas locais e do Canadá.
Os resultados preliminares indicam que na Argentina há 33.190.422 hectares de florestas nativas e 60.895.894 hectares ocupados por outras áreas florestais, que correspondem a formações arbustivas de uso misto altamente degradadas, assegurou Merenson.
Para executar a medição, o país foi dividido em seis áreas e a chamada Parque Chaqueño, que compreende 13 das 24 províncias argentinas, é a de maior patrimônio florestal, com 23.367.984 hectares de florestas nativas.
O funcionário também destacou a implementação do Programa Social de Florestas, que foi lançado em julho passado e faz parte das iniciativas governamentais para atenuar os efeitos da grave crise econômica e social que atravessa a Argentina.
“Esta atividade se complementa com o Plano Florestal Argentino, com o qual pretendemos aumentar em cinco milhões de hectares a área florestal do país, produzir mais de 100 milhões de toneladas de madeira ao ano e gerar mais de 200 mil empregos permanentes”. Merenson afirmou que “em cinco meses se receberam 271 projetos florestais” aos que se oferecerá assistência técnica e financeira.
Fonte: Agência EFE




