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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Polícia diz não ter mais dúvidas de que mãe adotiva seqüestrou Osvaldo

14/11/2002 14h09 – Atualizado em 14/11/2002 14h09

BRASÍLIA – O delegado Hertz Andrade afirmou há pouco que a polícia do Distrito Federal não tem mais dúvidas de que Vilma Costa foi a mulher que há 16 anos esteve em Brasília e seqüestrou o garoto Pedrinho, registrado depois como Oswaldo Borges Júnior. Ontem, em Goiânia, ela chegou a admitir, em conversa informal com a polícia, que seqüestrou o garoto. Mas, antes de prestar depoimento, pediu para falar com os filhos.

No horário marcado, Vilma não retornou e uma filha, acompanhada do advogado, disse que ela não prestaria mais depoimento.

A polícia, no entanto, já tem outras provas do envolvimento de Vilma no seqüestro. O depoimento de uma mulher reforçou ainda mais as suspeitas. Essa mulher, que na época do seqüestro ajudou na montagem do retrato falado, reconheceu Vilma como a pessoa que ela viu entrar no hospital e depois sair, usando óculos e carregando uma sacola grande. No depoimento, a testemunha, que na época acompanhava um parente no hospital, disse que quando viu a imagem de Vilma no programa document.write Chr(39)Fantásticodocument.write Chr(39) da TV Globo, no domingo passado, “teve um calafrio na espinha”. Essa testemunha já havia sido chamada várias vezes pela polícia para identificar outras mulheres apontadas como suspeitas e sempre havia dito que nenhuma delas era a suposta seqüestradora.

Além disso, às 22h30m de ontem, em Goiânia, um homem de 45 anos, parente de Vilma, prestou depoimento à polícia e confirmou que, em janeiro de 1986, a trouxe para Brasília e foi dispensado por ela logo depois de terem chegado à capital federal. A polícia também tem cópia de um contrato de locação feito em fevereiro daquele ano, em Goiânia, em nome do pai de criação, Osvaldo Borges. O proprietário do imóvel disse que, na época da locação, os vizinhos comentavam que uma mulher passou praticamente um ano reclusa na casa. O contrato de locação é do dia 2 de fevereiro. O menor foi seqüestrado no dia 21 de janeiro.

A polícia também tomou informalmente um depoimento, que foi gravado, de uma pessoa que se apresentou como parente de Vilma em Brasília e indicou o nome do homem que teria trazido a mulher à capital federal – o mesmo que, mais tarde, em outro depoimento, confirmou a história.

Desde que o cerco da Polícia Civil a Vilma Martins Costa aumentou, Oswaldo Borges Júnior, o Pedrinho, tem demonstrado preocupação com a mãe de criação. Ele ligou duas vezes para o pai biológico, Jairo Tapajós Pinto, para pedir sua ajuda. A primeira conversa aconteceu no momento em que uma equipe da Rede Globo estava na casa de Jairo. O diálogo foi mostrado no telejornal “DF-TV”.

— Isso é só uma hipótese, meu filho (acusação contra Vilma). Você tem que saber que você é a única pessoa que não tem culpa de nada. Seu pai está aqui para o que der e vier — disse Jairo.

A ligação ocorreu à tarde. No início da noite, Osvaldo voltou a ligar para o pai. Mais uma vez manifestou sua preocupação com a investigação da polícia. Quis que ele ajudasse de alguma maneira. Jairo aconselhou ao filho a não dar atenção ao noticiário sobre o caso.

Jairo tomou o cuidado de dizer ao filho que nem ele, nem sua mulher Maria Auxiliadora estavam envolvidos na investigação. Para evitar que o adolescente se afaste, o pai vinha evitando falar sobre as suspeitas, agora confirmadas, da Polícia Civil.

— Só me interessa conquistar meu filho — disse.

Além do telefonema do filho, Jairo recebeu a ligação do seu pai, Jônio Braule Pinto, de quem também não tinha notícias havia 16 anos, mesmo tempo em que ficou afastado de Osvaldo. O aposentado, de 73 anos, que mora em Belém, contou que um incêndio em sua casa destruiu documentos e os papéis com os telefones de Jairo e dos demais parentes que moram em Brasília.

Como não tinha dinheiro para viajar a Brasília, o pai de Jairo perdeu o contato com os parentes. Só foi reencontrar o filho depois de ver na TV o noticiário sobre o encontro do neto Pedrinho. Durante todos estes anos, Jairo e alguns tios que moram em Brasília tentaram, sem êxito, localizar Jônio, que havia mudado de endereço em Belém.

Fonte: Jornal O Globo

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