12/11/2002 13h22 – Atualizado em 12/11/2002 13h22
O passageiro do vôo 1701 da Gol, que fazia o trajeto de Cuiabá (MT) a Campo Grande, que tentou desviar o avião da Gol (Boeing 737-700), para Brasília, nesta madrugada, colocou em risco cerca de 70 passageiros. A aeronave tem capacidade para 144 pessoas, mas, segundo a empresa aérea Gol, ninguém ficou ferido.
O objetivo do ambulante Clodovel Dantas Lacerda, 56, era sobrevoar o Congresso e chamar a atenção de parlamentares.
Com dois litros de gasolina em uma garrafa de Coca-Cola e dois isqueiros, o ambulante tentou invadir a cabine do avião para ameaçar o piloto.
Segundo a Polícia Federal de Campo Grande, Lacerda foi dominado por tripulantes e passageiros. No tumulto, a gasolina caiu e se espalhou pelo chão da aeronave. O combustível também atingiu alguns passageiros.
Conforme a PF, o ambulante foi amarrado com cortinas e o vôo que havia saído às 2h45 de Cuiabá com previsão de pouso às 3h40 em Campo Grande, prosseguiu normalmente, até aterrissar no Mato Grosso do Sul, onde foi preso em flagrante.
Lacerda disse à polícia que está “revoltado” com a situação do país e queria fazer um protesto. Ele disse que acha injusto ter trabalhado por 50 anos e não ter direito à aposentadoria. O ambulante comparou sua situação com outros trabalhadores que, “com menos tempo de serviço têm direito à aposentadoria”.
A PF apreendeu com Lacerda, além da gasolina e dos isqueiros, 50 gramas de veneno Nitrocin, usado para matar formiga.
O ambulante disse à polícia que, caso seu plano de “sequestrar” o avião não desse certo, ele tomaria o veneno na tentativa de suicidar-se.
Segundo a PF, o ambulante, que vende espetinhos, é morador de Campo Grande e estava temporariamente em Cuiabá para tentar vender um imóvel.
Ele foi autuado e responderá pelo artigo 261 do Código Penal que trata sobre atentar contra a segurança do transporte fluvial, marítimo e aéreo. O crime é inafiançável e a pena varia de dois a cinco anos de prisão.
Em nota, a empresa aérea Gol informou que, durante o vôo, o ambulante disse que iria atear fogo no corpo e que ele “foi imediatamente rendido pelos comissários de bordo, ficando imobilizado na aeronave até o pouso e posterior entrega às autoridades federais no aeroporto de Campo Grande”.
A empresa informou também que, após o pouso, os passageiros desembarcaram e a aeronave foi inspecionada. “Garantida a integridade do equipamento e dos outros passageiros, a aeronave prosseguiu seu vôo.”
A Infraero (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária) em Cuiabá deverá divulgar nota sobre o caso.
Fonte: MS Notícias





