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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Estudo relaciona epilepsia à privação social e econômica

04/11/2002 08h06 – Atualizado em 04/11/2002 08h06

LONDRES – Um estudo publicado na edição deste sábado do British Medical Journal indica uma importante associação entre a epilepsia e a pobreza. O estudo, do Instituto de Neurologia da University College London, constata que as pessoas que vivem em lugares mais pobres têm mais propensão a desenvolver a doença do que aquelas de bairros mais ricos.

As descobertas acrescentam a epilepsia à lista de males como o câncer e a doença cardiovascular, que têm mais peso sobre as populações mais pobres, escreveu o professor Ley Sander, um dos autores do estudo.

Em algum momento da vida, uma pessoa em cada 50 terá epilepsia. Atualmente, pelo menos 40 milhões de pessoas em todo o mundo têm a doença, na qual interrupções na sinalização eletroquímica do cérebro provocam ataques, segundo a Sociedade Nacional de Epilepsia.

A equipe de Sander registrou novos casos da doença em 20 clínicas de médicos de família de Londres e no sudeste da Inglaterra, durante um período de 18 a 24 meses. Os casos foram classificados de acordo com uma medida de privação social baseada no endereço do paciente.

“A incidência de epilepsia parece aumentar com a privação sócio-econômica”, escreveram os médicos no British Medical Journal.

Especificamente, novos casos de epilepsia ocorreram com freqüência 2,33 vezes maior no quinto mais desprovido da população, comparado ao menos desprovido.

Um fator que pode ter confundido as descobertas foi o fato de que os contrastes na privação social ocorreram principalmente entre áreas dentro de Londres e nos arredores da cidade, destacaram os pesquisadores. Quando eles ajustaram suas análises para levar isso em conta, a associação entre a epilepsia e a privação caiu para 1,62.

É possível que pacientes dentro e fora de Londres tenham diferente acesso a serviços de tratamento de epilepsia, que outros fatores, como etnia, tenham influenciado as taxas, ou que os médicos na capital inglesa e fora dela variem na eficiência de seus registros, sugerem os pesquisadores.

Mas eles confiam em que o formato de seu estudo signifique “que estas explicações não levem em conta a privação que observamos, e nós concluímos que a evidência é favorável de o status sócio-econômico mais pobre seja um fator de risco para o desenvolvimento da epilepsia”.

As razões para a associação não estão claras, embora uma série de fatores, incluindo uma maior incidência de defeitos de nascença, infecção e outros problemas de saúde entre as populações menos favorecidas, possam fazer parte da explicação, destaca a equipe de Sander.

Fonte: Reuters

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