04/11/2002 14h40 – Atualizado em 04/11/2002 14h40
Mais uma mulher morreu hoje em um hospital de Moscou devido aos efeitos do gás, a base de ópio, utilizado pela polícia russa na ação de resgate dos cerca de 800 reféns tomados por rebeldes tchetchenos em um teatro da capital russa. Segundo informações da agência russa Interfax, a mulher morreu de insuficiência cardíaca aguda.
No dia 23 de outubro, um grupo de rebeldes tchetchenos tomou um teatro de Moscou e fez cerca de 800 pessoas reféns durante 58 horas. Os rebeldes reivindicavam a retirada imediata das forças russas da Tchetchênia. Sem chegar a um acordo, a polícia de Moscou lançou um gás a base ópio dentro do teatro e deu início à operação de resgate: o gás causou a morte de 118 reféns. Outros dois reféns morreram baleados pelos terroristas. Todos os 50 rebeldes que invadiram o teatro também morreram no incidente, totalizando, até o momento, 170 mortos.
De acordo com os últimos dados, dos 800 reféns, além dos 120 mortos, 149 ainda estão hospitalizados -seis em estado grave.
A Rússia intensificou sua guerra contra os separatistas tchetchenos em cumprimento ao novo plano antiterrorista militar, cuja execução foi autorizada pelo presidente Vladimir Putin logo após o resgate dos reféns presos no teatro.
A polícia deteve dezenas de pessoas suspeitas de envolvimento no sequestro que durou três dias.
Putin prometeu que a Rússia lançará uma ação decidida “contra os terroristas, em qualquer lugar onde se encontrem”, mas a crise deu um novo impulso às pressões internacionais para que Moscou procure uma saída política para a questão tchetchena.
Resposta
Ontem, após a Rússia anunciar a suspensão do plano para a retirada de suas forças do território tchetcheno, e a intensificação das ações militares no país, um helicóptero MI-8 do Exército russo foi derrubado na Tchetchênia por rebeldes separatistas causando nove mortes.
O aparelho foi atingido por um míssil terra-ar portátil. Na terça-feira (29), guerrilheiros separatistas derrubaram um helicóptero russo MI-8 perto da principal base militar de Moscou nos arredores da capital Grozny, matando quatro membros das Forças Armadas.
Conflito
O Exército russo entrou na Tchetchênia no final de setembro de 1999, alegando combater grupos terroristas islâmicos. Após quase dois anos de combates, Moscou domina a maior parte da região, incluindo a capital, Grosni, e as principais cidades.
A Tchetchênia, de maioria muçulmana, é formalmente uma república russa, mas havia conquistado autonomia após o conflito travado com Moscou entre 1994 e 1996. A região foi anexada pela Rússia no século 18, ainda na época dos czares.
Organizações internacionais criticam, desde o início da ofensiva russa, o desrespeito aos direitos humanos. Civis e rebeldes tchetchenos teriam sido barbaramente torturados e mortos por soldados russos.
Putin se tornou a figura mais popular na política do país graças à sua ação na ofensiva na Tchetchênia e ganhou a eleição presidencial ocorrida em março de 2000.
Fonte: Folha Online






