04/11/2002 15h18 – Atualizado em 04/11/2002 15h18
Mesmo com projeções mundiais de redução de consumo, Mato Grosso deverá se consolidar no mercado internacional de algodão e exportar, pelo menos, 100 mil toneladas (t) de pluma em 2003, segundo estimativa da Associação Mato-grossense de Produtores de Algodão (AMPA). As perspectivas foram levantadas após a visita de dez cotonicultores do Estado a alguns dos principais países produtores e consumidores de algodão durante o mês de outubro.
A expedição mato-grossense desembarcou em Cuiabá neste final de semana e contou com a participação do presidente da AMPA, José Pupin, e o vice-presidente da entidade, João Luiz Pessa, além da presença do governador Rogério Salles e membros da Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração (SICM). O objetivo da viagem foi divulgar o algodão do estado, firmar contatos comerciais e atualizar conhecimentos técnicos e de mercado.
A missão compreendeu duas viagens principais e com objetivos distintos: A primeira foi ao Cairo, capital do Egito, onde os cotonicultores participaram, entre os dias 20 e 25 de outubro da reunião do International Cotton Advisory Commite (ICAC), uma entidade internacional que congrega mais de 40 países que se associaram para promover o algodão no mundo.
Com base nas questões tratadas no encontro, foi possível constatar que o Brasil é o produtor de algodão com maior possibilidade de expansão da cultura, explica o vice-presidente da AMPA, João Luiz Pessa. “Os países que têm minifúndio precisam de subsídio governamental e os grandes produtores mundiais estão tendo empecilhos para expandir, por conta, por exemplo da falta de água, como é o caso da Austrália”, explica Pessa. A previsão para o próximo ano, é que a Austrália, maior produtor mundial, reduza sua produção em 40%, o que significa boas perspectivas de abertura de mercado para o Brasil, acredita o vice-presidente da AMPA.
Por outro lado, há estimativas de redução do consumo mundial de algodão, principalmente, por conta da tendência de aumento do uso de fibras sintéticas. A análise foi retirada do encontro anual das indústrias têxteis – International Textile Manufacturers Federation (ITMF) – ocorrido de 27 a 30 de outubro, em New Delhi, na Índia. “Esse cenário nos instiga a melhorar ainda mais a qualidade da nossa fibra afim de valorizá-la no mercado internacional”, analisa Pessa.
A tendência é de que regiões asiáticas se consolidem como principal mercado consumidor, já que as indústrias têxteis da Europa e dos Estados Unidos, principalmente, estão se deslocando para a Ásia, por conta do baixo custo da mão-de-obra.
A expedição dos cotonicultores de Mato Grosso ao exterior ainda incluiu participação em reuniões e conferências na Suíça e na Inglaterra, no início de outubro e, na Austrália, em agosto.
Perspectivas para MT – As exportações de algodão de Mato Grosso em 2001 foram de 80 mil t e, a previsão da AMPA é que o Brasil deve exportar 100 mil t até o final deste ano, com o Mato Grosso novamente participando com 80% das exportações. Para 2003 a entidade espera, no mínimo, manter essa mesma quantidade exportada, o que significa um grande passo rumo à consolidação do algodão mato-grossense no exterior, pondera o vice-presidente da AMPA. “Acredito que as exportações deverão ficar nesse patamar porque não haverá, na próxima safra, um aumento significativo de produção no Estado”, justifica Pessa.
Segundo o vice-presidente da AMPA, entre 30 mil t e 50 mil t de pluma mato-grossense da próxima safra (2002/2003) já estão com contratos fechados para exportação. Ainda na expedição, foram feitos contatos com compradores da Ásia, principalmente tailandeses e indianos, que deverão receber amostras do algodão do estado para análise.
Fonte: 24horasnews





