01/11/2002 13h31 – Atualizado em 01/11/2002 13h31
As negociações serão presididas em conjunto pelo Brasil e pelos Estados Unidos, que divergem sobre vários aspectos da Alca. Na quinta-feira, uma série de protestos – principalmente de indígeneas e estudantes – tomaram conta das ruas da capital equatoriana.
Polêmica
Um dos temas mais polêmicos é a concessão de subsídios agrícolas aos produtores dos países ricos, o que prejudica a economia dos países que não concedem incentivos porque seus produtos ficam mais caros no mercado internacional. A América Latina critica a política de concessão de subsídios do governo americano aos seus agricultores. Os demais países querem a suspensão dos subsídios, para haver uma competição mais igualitária. O representante para assuntos de comércio dos Estados Unidos, Robert Zoellick, que participa da reunião em Quito, deixou claro que o seu país também precisa lidar com o protecionismo imposto por países da Europa e da Ásia.
Segundo Zoellick, os Estados Unidos investem US$ 15 milhões anuais em subsídios, enquanto que a Europa investe US$ 2 bilhões. O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Carlos Ruckauf, lembrou que a América Latina negocia na Alca com os Estados Unidos, e não com a Europa e o Japão. “Defendemos a liberação comercial e a integração, mas as condições dadas a cada país precisam ser transparentes”, disse Ruckauf.
Brasil x EUA
Por isso, os ministros reunidos em Quito, pela primeira vez desde que começaram a discutir a alca, convidaram representantes da sociedade civil para expressar suas opiniões na reunião. As negociações sobre o processo de integração continuam até 2005, quando a Alca deve entrar em vigor. De acordo com Riordan Roett, especialista em comércio internacional da Universidade de Johns Hopkins, a disputa política entre Brasil e Estados Unidos deve dominar as discussões.
O recém-eleito presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, já expressou suas reservas em relação ao livre comércio pedindo que os Estados Unidos abram mais seu mercado aos produtos brasileiros como o aço e o suco de laranja, que sofrem sobretaxa ao entrar no mercado internacional.
Fonte: BBC Brasil)





