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sexta-feira, 17 de abril de 2026

Britânicos avaliam política de escolha do sexo dos bebês

23/10/2002 15h35 – Atualizado em 23/10/2002 15h35

LONDRES – Afinal, os pais teriam ou não o direito de escolher o sexo de seus filhos? A pergunta é o principal tópico de uma pesquisa, na Grã-Bretanha, que visa a fazer uma radiografia do tema, um dos mais polêmicos no país.

A Administração de Fertilização Humana e Embriologia da Grã-Bretanha (HFEA) atualmente permite o uso dessa técnica somente quando os pais precisam evitar uma séria condição genética ligada ao gênero do bebê, como a hemofilia.

Mas alguns casais britânicos resolveram ir ao exterior para fazer tratamentos de seleção. Além disso, algumas novas técnicas ainda não foram regulamentadas de acordo com a legislação britânica.

A pesquisa, de três meses, pergunta se é justo que as pessoas usem técnicas de reprodução assistida para conseguirem escolher o sexo de seus filhos e procura saber as razões que as levam a isso.

O professor Tom Baldwin, vice-presidente da HFEA, declarou: “O propósito da consulta não é ajudar a HFEA a decidir se eles devem ter autorização. É criar um debate público para o governo decidir”.

Suzi Leather, que preside o HFEA, acrescentou: “O HFEA está genuinamente interessado em conhecer a opinião pública e não sabemos quais serão os resultados da consulta”.

A enquete acontece em seguida ao desenvolvimento de uma nova técnica, conhecida como escolha de esperma, na qual o esperma é dividido de acordo com os cromossomos – masculinos ou femininos – que contém.

Assim, a mulher pode ser inseminada com aquele que tem, em sua maioria, os cromossomos do sexo desejado para o bebê.

A técnica, atualmente, não está regulamentada nem proibida na Grã-Bretanha porque não envolve a doação de esperma nem a criação de embriões fora do corpo humano.

Isso significa que não há nada na Lei de Fertilização Humana e Embriologia que impeça uma clínica de abrir as portas amanhã na Grã-Bretanha oferecendo a nova técnica aos casais.

A MicroSort, empresa com sede nos Estados Unidos, tem exclusividade da licença para usar a escolha do esperma em humanos, dando prosseguimento ao bem-sucedido uso da técnica em animais.

Centenas de ovelhas e gado bovino, durante três gerações, foram gerados por este método e a mais velha criança nascida a partir da técnica tem agora 6 anos de idade.

O Dr David King, diretor do Human Genetics Alert, afirmou à agência de notícias Associated Press: “A criação de uma nova vida é a coisa moralmente mais séria que se pode fazer. Não devemos deixar que se torne apenas outra escolha de consumo. Se permitirmos a seleção dos sexos, não estaremos abrindo uma brecha da porta para projetar bebês, estaremos escancarando a porta”.

Uma das formas em que a seleção do sexo é possível é antes de o embrião criado através da fertilização in vitro ser transferido para uma mulher.

Esta semana, a HFEA anunciou planos para observar potenciais problemas de saúde das crianças concebidas através de tratamentos de fertilização, em meio a preocupações de que estes bebês possam correr maiores riscos de nascer defeituosos.

Embora a incidência desses defeitos seja muito pequena, a HFEA sentiu que era importante realizar alguns estudos para ter certeza de quais são os riscos.

“Houve uns poucos documentos publicados em todo o mundo que causaram o questionamento sobre se as crianças nascidas em resultado de alguma das técnicas de fertilização assistida estão associadas a maiores incidências de defeitos no nascimento”, disse um porta-voz da HFEA à Associated Press.

Dois estudos publicados na New England Journal of Medicine no início do ano sugeriram que os chamados bebês de proveta são mais propensos a ter baixo peso e a nascer com mais defeitos do que as crianças concebidas naturalmente.

Especialistas em fertilidade também expressaram preocupação com os tratamentos que envolvem embriões congelados e alguns estudos médicos sugeriram que as crianças concebidas através da injeção de esperma intracitoplasmático – na qual um único espera é injetado no óvulo – teria um risco ligeiramente maior de gerar crianças defeituosas.

Estima-se que um milhão de bebês em todo o mundo nasceram por essa técnica, desde Louise Brown, o primeiro bebê de proveta, que nasceu em 1978.

As técnicas de fertilização em geral resultam em nascimentos múltiplos porque normalmente mais de um embrião é implantado no útero da mulher para aumentar as chances de sucesso.

Fonte: CNN

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