Exportações de Mato Grosso do Sul mostram leve queda no início de 2026, mas ganham novo impulso com avanço dos EUA
Por: Nathália Santos
Os dados mais recentes da Semadesc revelam que Mato Grosso do Sul mantém um perfil exportador concentrado, porém com sinais importantes de mudança no início de 2026. No acumulado entre janeiro e março, o Estado registrou leve retração de 1,66% no valor exportado em relação ao mesmo período de 2025, totalizando US$ 2,51 bilhões.
Apesar da queda modesta, o desempenho mostra resiliência diante de um cenário internacional ainda em ajuste.
CHINA SEGUE LÍDER, MAS PERDE PARTICIPAÇÃO
A China permanece como principal destino das exportações sul-mato-grossenses, com 44,84% de participação no total. Ainda assim, houve recuo tanto em valor quanto em volume, com queda de 6,11% na receita em comparação ao ano anterior.
O movimento indica uma leve desaceleração da demanda chinesa ou diversificação das compras, algo já observado em outros mercados exportadores brasileiros.
ESTADOS UNIDOS GANHAM ESPAÇO COM FORÇA
O destaque do período é o crescimento expressivo das exportações para os Estados Unidos. O país saltou de 5,42% para 8,58% de participação, com aumento de 55,87% no valor exportado. Em volume, o crescimento também foi significativo.
Esse avanço ocorre em um contexto estratégico. O recente fim do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre diversos produtos estrangeiros abre novas oportunidades para exportadores brasileiros.
A redução de barreiras comerciais tende a favorecer estados com forte produção agroindustrial, como Mato Grosso do Sul, ampliando a competitividade de seus produtos no mercado norte-americano.
EUROPA APRESENTA QUEDA E AJUSTE DE MERCADO
Entre os países europeus, houve retração nas exportações. Os Países Baixos mantiveram relativa estabilidade, com leve queda de 3,06%, enquanto a Itália registrou uma redução mais acentuada de 29,51%.
Esses números podem refletir tanto ajustes na demanda europeia quanto mudanças logísticas e comerciais, especialmente em função de políticas ambientais e reconfiguração de cadeias de suprimento no continente.
NOVOS DESTAQUES E DIVERSIFICAÇÃO DE MERCADOS
Outros mercados apresentaram crescimento relevante. O Vietnã teve alta expressiva de 95,48% no valor exportado, indicando fortalecimento das relações comerciais com o Sudeste Asiático. O Japão também registrou crescimento significativo, de 50,45%.
Por outro lado, países como Uruguai e Índia apresentaram queda, sugerindo uma redistribuição dos fluxos comerciais.
IMPACTO DO NOVO CENÁRIO INTERNACIONAL
O fim do tarifaço dos Estados Unidos tende a consolidar uma tendência já observada nos dados. Com menos barreiras, produtos sul-mato-grossenses ganham maior acesso ao mercado norte-americano, o que pode elevar ainda mais a participação dos EUA na pauta exportadora ao longo de 2026.
Ao mesmo tempo, a leve redução no total exportado indica que o Estado ainda atravessa um período de transição, ajustando seus mercados diante de mudanças globais na demanda, nos preços e nas políticas comerciais.





