22/10/2002 15h28 – Atualizado em 22/10/2002 15h28
“Eventos como estes são muito importantes, no entanto, seria necessário um aprofundamento maior nos temas abordados aqui, onde se falou de preconceitos, assistência, cidadania, mercado de trabalho, entre outros temas. Depois destes dois dias, é possível instituir documento, uma carta-manifesto, enfim, propostas de projetos, permitindo inserção das travestis na sociedade”, disse o psicólogo paulista Cláudio Picázio, renomado palestrante do I Seminário Silicone, Auto-estima e Cidadania na Vida das Travestis, que termina hoje em Campo Grande.
O evento foi promovido pela coordenação estadual de DST/Aids da Secretaria de Estado de Saúde (SES), em parceria com a Associação das Travestis de Mato Grosso do Sul (ATMS). Segundo o coordenador do evento, Edimilson Cardoso da Cruz, mais da metade dos participantes veio do Interior do Estado.
Aberto ao público, o seminário acontece na Escola de Saúde Pública, na avenida Filinto Muller, 1.480, em Campo Grande.
A presidente da ATMS, Cris Stephany, foi enfática ao abordar o comportamento das travestis, o preconceito que ainda sofrem – inclusive por parte da imprensa – e seu mercado de trabalho, citando fatos acontecidos em municípios do Interior. “Respeitem-se para que as pessoas respeitem vocês. Conheçam seus direitos”, disse a presidente.
O promotor de Justiça Carlos Bobadilha Garcia explanou o tema cidadania, lembrando que o cidadão que for alvo de violência deve sempre denunciar. “O exercício da cidadania deve ser pleno – todos temos direitos e deveres. No entanto, as denúncias devem ser fundamentadas, com provas que comprovem a violência sofrida”, esclarece o promotor.
Para a advogada do Grupo de Resistência Asa Branca, de Fortaleza (CE), Janaína Dutra, cidadania não se dá a ninguém; se conquista. “Denunciem sempre, todos os tipos de violência. Mas é preciso ter cuidado, pois toda denúncia somente tem valia com o ônus da prova.”
Fonte: Dourados News






