21/10/2002 10h29 – Atualizado em 21/10/2002 10h29
WASHINGTON – Usando um banco de dados de informações genéticas único, pesquisadores afirmaram ter descoberto pistas genéticas sobre a esquizofrenia, asma, derrame e ansiedade. Os resultados foram obtidos após a observação de informações genéticas da população da Islândia.
Os pesquisadores começaram a desenvolver um trabalho para criar drogas melhores para tratar a asma e a esquizofrenia, tendo como base os dados genéticos. Segundo eles, os resultados comprovam o quão importante é o papel do gene em uma doença.
- Acredito que a maior parte dos destinos humanos tem um componente genético – afirmou Kari Stefansson, diretor-executivo da empresa DeCODE Genetics, em uma entrevista telefônica.
Desde a descoberta da genética humana, vem sendo estudado o quanto da biologia pode ser atribuído à natureza – os genes – e o quanto ao meio ambiente.
Stefanson disse que a pesquisa está revelando que as pessoas têm tendências já formadas até para doenças que acreditava-se serem resultado do estilo de vida e meio ambiente, como a ansiedade e o derrame.
- A ansiedade me despertou um certo ceticismo no começo – disse Stefansson. – Eu sempre pensei que a doença fosse inseparável da condição humana.
A DeCODE está usando uma base genética incomum. Por ser um país pequeno e com uma população pouco diversificada, a Islândia foi escolhida pelos pesquisadores como base de pesquisa. Os islandeses votaram a favor da autorização do estudo de seu DNA para pesquisas científicas.
Os pesquisadores examinaram o DNA de 26 famílias, cada uma com pelo menos uma desordem do pânico diagnosticada, e descobriu mudanças genéticas comuns no cromossomo 9. Essas alterações podem eventualmente explicar as tendências sobre a grande de variedade de condições relacionadas à ansiedade, como a síndrome do pânico e fobias, explicaram os pesquisadores em um encontro realizado pela Sociedade Americana de Genética Humana em Baltimore, nos Estados Unidos.
A equipe de Stefansson, que trabalhou em parceria com o Hospital Universitário de Reykjavik, também descobriu um gene associado ao derrame, que eles chamaram de STRK 1. O gene controla uma enzima descoberta nas paredes da artéria e pode fazer com que a pessoa tenha predisposição a acumular material nos vasos sangüíneos, que podem se romper e provocar o derrame ou ataque cardíaco.
- Não é o tipo de doença que você diria que a genética exerce um papel importante – disse Stenfansson. – Mas se você pensar nisso, na genética o genoma é sua marca. Você herda a predisposição.
Outros pesquisadores têm procurado há tempos um gene associado ao derrame. Uma equipe do Centro Médico JFK em Edison, Nova Jersey, disse durante o mesmo encontro que eles detectaram uma ligação com as mudanças em um gene chamado NOS3, que controla uma enzima chamada sintaxe oxido nítrica.
Muitos pesquisadores pensavam que esse gene, que é diferente do STRK 1, pode ter um papel importante no aparecimento da doença. Estudos realizados com 400 voluntários de Nova Jersey sugere que a hipótese pode estar correta.
Muitos cientistas também descobriram genes associados com a esquizofrenia, mas Stefansson disse que sua equipe detectou um gene chamado neuregulin 1, que apresenta ligação com a doença, em todos os pacientes islandeses.
- Na nossa população o gene neuregulin é o principal – disse Stefansson. – Mas haverá sempre outros genes que influenciam a doença.
Ele disse que outros pesquisadores dos Estados Unidos e da Alemanha replicaram suas descobertas e que a companhia está estudando uma maneira de descobrir uma droga que possa afetar essa função genética em particular. Eles acreditam que talvez seja possível desenvolver um melhor tratamento para a esquizofrenia. As drogas já existentes causam efeitos colaterais e por isso os pacientes não gostam de tomá-las.
Várias equipes de pesquisadores, incluindo o DeCODE, também disseram no encontro terem encontrado genes associados à asma. Os cientistas disseram que estão procurando maneiras de descobrir uma maneira de fazer com que pacientes com asma respondam melhor a uma variedade de drogas contra a doença.
Fonte: Reuters






