01/12/2008 07h59 – Atualizado em 01/12/2008 07h59
Waldir Guerra *
Não há como deixar de comentar a desgraça que vem se abatendo sobre o litoral de Santa Catarina nesses últimos dias, até porque há quarenta anos faço do litoral catarinense meu refúgio nas férias de verão.
Mais que um cartão postal – é assim que a maioria se refere àquela região do estado de Santa Catarina – na verdade uma das regiões mais bem industrializada do país. Com dois portos, Itajaí e São Francisco, verdadeiros escoadouros para o exterior da nossa produção industrial, principalmente as carnes. Aliás, o porto de Itajaí – agora quase todo destruído pela enchente – escoa quase toda a produção brasileira de carnes, especialmente a de frangos e suínos.
Terra de gente alegre que aguarda com ansiedade a chegada do verão para poder receber os milhões de turistas que lá chegam para descansar e encher de lindas mulheres suas praias de águas claras. O catarinense é um povo que foi educado ao longo de décadas a respeitar o turista conforme a lei de Hilton onde “o cliente sempre tem razão”. Até por conta disso, as praias catarinenses recebem centenas de milhares de argentinos todos os anos. Muitos deles fazem daquelas praias suas residências definitivas.
Bem no início da temporada, eis que um mar de lama desaba sobre planícies e praias daquela linda região e aquilo que era para ser só alegria virou desespero e tristeza. As encostas dos morros e da própria Serra do Mar se descarnam da sua terra e levam para baixo junto com sua pele, a vegetação, soterrando tudo, gente, casas, construções e fazendo daquele cartão postal um painel dantesco.
Poderia esta tragédia ser evitada? Não. Mas poderia, sim, ser amenizada. Áreas de risco são facilmente sempre identificadas, mas infelizmente não se exige o cumprimento das leis por aqueles “pobrezinhos” que vão tomando conta dessas áreas e depois tudo perdem de uma hora para outra, quando não perdem até a própria vida. Eles – os infelizes – seriam, então, os próprios culpados? Sim e junto com eles todos nós que não forçamos que não cobramos que não exigimos o cumprimento das leis – no caso aqui a lei de proteção do solo e do meio-ambiente.
Somos todos culpados pelo aumento nos casos de câncer não só aqui na cidade de Dourados, mas no mundo inteiro e que tudo indica, uma das grandes causas é pela contaminação da água com agrotóxicos. Dourados é uma cidade cercada por lavouras que usam e abusam na aplicação de venenos mortais para os insetos – e certamente mortais para nós também.
Somos todos culpados pela epidemia da Dengue que já fez milhares de vítimas no ano passado, tanto aqui como na maioria das cidades brasileiras e neste verão, se nos mantivermos inertes como no ano passado, ela voltará com força ainda maior. Com certeza virá com a intenção de se tornar endêmica. O governo pode combatê-la? Sim, mas vencê-la, não. Só quem pode exterminá-la é a boa vontade de todos nós.
Como a catástrofe no litoral catarinense que não poderia ser evitada, aqui também ninguém está livre de ser infectado, ou por uma água contaminada, ou por uma picada de um mosquito, mas há solução? Sim. Como lá em Santa Catarina, aqui também há soluções principalmente fazendo cumprir as leis de proteção ambiental.
Com um maior rigor, não somente pela Justiça, mas por todos nós no cumprimento das leis dos homens e principalmente das leis da própria natureza, enfrentaremos sem tantos prejuízos à nossa saúde as escaramuças da mãe natureza e também a causa das nossas doenças, como é o caso de evitarmos a contaminação das águas e a proliferação dos mosquitos.
- Cidadão douradense; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.



