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segunda-feira, 2 de março de 2026

Da loja ao lar: como o e-commerce impulsiona a indústria da celulose no Brasil

Com novas fábricas e investimentos bilionários, Mato Grosso do Sul se consolida como principal polo de expansão da celulose no país, fortalecendo a cadeia de embalagens impulsionada pelo comércio eletrônico

Por: Nathália Santos

O crescimento do comércio eletrônico no Brasil deixou de ser apenas uma mudança no comportamento do consumidor para se consolidar como vetor de transformação industrial. À medida que as vendas online avançam, cresce também a demanda por caixas, chapas e acessórios de papelão ondulado, produtos que dependem diretamente da cadeia produtiva da celulose.

Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o setor movimentou cerca de R$ 235.5 bilhões em 2025, um aumento de 15% em relação ao ano anterior, e mantém projeções de crescimento para os anos seguintes. O avanço das vendas digitais significa, na prática, mais embalagens circulando entre centros de distribuição e consumidores finais.

DA CELULOSE À EMBALAGEM

O papelão ondulado é hoje o principal insumo das embalagens utilizadas no e-commerce. Dados da Associação Brasileira de Embalagens em Papel (Empapel) indicam que a expedição de papelão ondulado no país tem registrado volumes elevados nos últimos anos, acompanhando o ritmo do varejo digital.

Em 2024, foram expedidos 4,2 bilhões de papelão ondulado, um aumento de 5% comparado com 2023, quando foram expedidos 4 bilhões de toneladas.

Da loja ao lar: como o e-commerce impulsiona a indústria da celulose no Brasil

Os dados da Empapel ainda mostram que, na comparação mundial, o Brasil se encontra na sexta posição dos principais países produtores de papelão ondulado. O Brasil foi o país que mais avançou na expedição entre 2024 e 2023, ao crescer 5,0%. Em seguida, os maiores crescimentos vieram da China (3,3%), Itália (3,0%) e Índia (2,5%).

EMPRESAS PROTAGONISTAS

A cadeia produtiva começa na floresta plantada, passa pela produção de celulose, segue para as fábricas de papel e chega às indústrias de embalagens. Empresas como a Klabin e a Suzano são protagonistas nesse processo, seja na produção de celulose, seja na fabricação de papéis voltados ao segmento de embalagens.

Vale lembrar que a Suzano consolidou Mato Grosso do Sul como um dos principais polos mundiais de produção de celulose. A empresa é hoje a maior produtora global de celulose de eucalipto, com capacidade instalada de aproximadamente 13,5 milhões de toneladas por ano no Brasil. Em 2024, registrou volume recorde de vendas, superior a 12 milhões de toneladas de celulose e papel.

PRODUÇÃO EM MS

No estado, as unidades de Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo somam cerca de 5,8 milhões de toneladas anuais de capacidade instalada, o que coloca Mato Grosso do Sul como eixo central da estratégia industrial da companhia. A fábrica de Ribas do Rio Pardo, resultado do Projeto Cerrado, adicionou sozinha 2,55 milhões de toneladas à capacidade da empresa e é considerada uma das maiores linhas únicas de produção do mundo.

O movimento das embalagens de papelão também é influenciado pela substituição gradual do plástico por materiais de base renovável, impulsionada por metas ambientais e políticas de sustentabilidade adotadas por grandes varejistas e marketplaces.

MS SE CONSOLIDA PAPEL ESTRATÉGICO

Mato Grosso do Sul se firmou como um dos principais polos da indústria de celulose no país. Informações divulgadas em fevereiro pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) apontam o avanço de novos investimentos no setor.

De acordo com a secretaria, o Conselho Estadual de Controle Ambiental aprovou a Licença Prévia para a instalação da sexta fábrica de celulose no estado, no município de Bataguassu. O projeto prevê investimento estimado em aproximadamente R$ 16 bilhões e capacidade produtiva superior a 5 milhões de toneladas anuais de celulose kraft, incluindo celulose solúvel.

A nova unidade deve gerar milhares de empregos na fase de construção e operação. A Semadesc destaca ainda que o governo estadual tem atuado na articulação de infraestrutura logística, qualificação de mão de obra e planejamento territorial para dar suporte à expansão do setor.

Com a consolidação de plantas industriais em municípios como Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo e, futuramente, Bataguassu e Inocência, o estado amplia sua participação nas exportações brasileiras de celulose, fortalecendo a base produtiva que abastece tanto o mercado externo quanto a indústria nacional de papel e embalagens.

IMPACTOS ECONÔMICOS E DESAFIOS

O fortalecimento do e-commerce cria um ciclo positivo para a cadeia florestal/industrial, mas não elimina desafios. A indústria de celulose continua exposta às oscilações do câmbio, à demanda internacional, especialmente asiática, e aos custos logísticos, fatores que influenciam preços e margens.

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Além disso, o crescimento do setor exige equilíbrio entre expansão produtiva e sustentabilidade ambiental, tema cada vez mais presente nas exigências de investidores e consumidores.

Ainda assim, o cenário indica que a digitalização do consumo tem efeitos que vão muito além das telas.

Cada clique no carrinho virtual movimenta uma cadeia que começa na floresta plantada e passa por indústrias de base, como a celulose, setor que, em estados como Mato Grosso do Sul, se consolida como um dos pilares da economia regional.

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