Conforme dados da Sejusp-MS, 11 cidades integravam lista de municípios que, há 10 anos, não registravam crimes de feminicídios
Por: Nathália Santos
Selvíria, município localizado a 74 km de Três Lagoas, deixou de integrar o grupo de cidades de Mato Grosso do Sul que não tinham registros de feminicídio na última década. O caso ocorreu na manhã de segunda-feira (23) com a morte de Fátima Aparecida da Silva, de 58 anos.
O principal suspeito é o sobrinho da vítima, Maurício da Silva, de 21 anos, que foi preso em flagrante. Conforme relato à polícia, ele agrediu a tia com golpes na cabeça utilizando objetos como panelas e uma serra mármore. Após o crime, fugiu do local.
O jovem foi localizado às margens do Córrego Rio Doce, onde tentava remover o sangue do corpo. Inicialmente, ele negou envolvimento e disse que encontrou a tia já sem vida, afirmando que o sangue seria resultado de uma tentativa de socorro. No entanto, diante das provas reunidas, acabou confessando o homicídio.
ÁLCOOL E DROGAS
Em depoimento, Maurício declarou que havia consumido álcool e drogas antes de ir até a casa da vítima durante a madrugada. Segundo ele, houve uma discussão por motivos considerados banais. O suspeito afirmou que Fátima teria pegado uma faca, momento em que reagiu com agressões. Após a queda da vítima, ele deixou o local.
Ainda de acordo com o relato, ele teria avisado o filho da vítima e depois tentou limpar o sangue em um posto de combustível, mas não conseguiu. Em seguida, seguiu para o córrego, onde foi encontrado pela polícia.
PRIMEIRO CASO EM MAIS DE UMA DÉCADA
Segundo dados do Monitor de Violência Contra a Mulher, do Poder Judiciário em parceria com a Secretaria de Justiça e Segurança Pública, Selvíria, com cerca de 8,1 mil habitantes, não havia registrado feminicídios desde 2015, quando o crime passou a ser tipificado.
Em fevereiro deste ano, a morte de Janete Feles Valores, de 45 anos, chegou a ser investigada como possível feminicídio. No entanto, após perícia e análise da Polícia Civil, concluiu-se que se tratava de suicídio. O marido da vítima chegou a ser preso, mas foi liberado dias depois.
Outra cidade que saiu recentemente da lista foi Paranhos, após o assassinato de Ereni Benites, de 44 anos, morta pelo ex-marido no dia 8 de março. A vítima teve a casa incendiada e morreu carbonizada.
Com isso, o número de municípios sem registros desse tipo de crime caiu de 11 para 10.
Permanecem na lista cidades como Bodoquena, Brasilândia, Corguinho, Guia Lopes da Laguna, Jaraguari, Jateí, Paraíso das Águas, Rio Negro, Taquarussu e Vicentina.
DADOS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA EM SELVÍRIA
Ainda conforme o monitor, Selvíria registrou 11 ocorrências de violência doméstica nos primeiros 81 dias de 2026. Historicamente, o ano com maior número de casos foi 2017, com 75 registros. Em seguida aparecem 2023, com 72, e 2020, com 71. Em 2025, foram contabilizados 58 boletins de ocorrência relacionados a esse tipo de crime.
CASO EM TRÊS LAGOAS EM 2026
Três Lagoas também registrou um feminicídio em 2026. Um dos casos mais recentes foi o de Beatriz Benevides, de 18 anos, assassinada no dia 25 de fevereiro. O crime reforça o cenário preocupante da violência contra a mulher na região.
FEMINICÍDIOS REGISTRADOS EM MS EM 2026
Com a morte de Fátima Aparecida da Silva, Mato Grosso do Sul chega a oito casos de feminicídio em 2026. As vítimas são:
* Josefa dos Santos, 44 anos, morta em 16 de janeiro em Bela Vista
* Rosana Candia Ohara, 62 anos, morta em 24 de janeiro em Corumbá
* Nilza de Almeida Lima, 50 anos, morta em 22 de fevereiro em Coxim
* Beatriz Benevides, 18 anos, morta em 25 de fevereiro em Três Lagoas
* Liliane de Souza Bonfim Duarte, 51 anos, atacada em 3 de março em Ponta Porã, com morte confirmada em 6 de março em Dourados
* Leise Aparecida Cruz, 41 anos, morta em 6 de março em Anastácio
* Ereni Benites, 44 anos, morta em 8 de março em Paranhos
* Fátima Aparecida da Silva, 58 anos, morta em 23 de março em Selvíria



