A expansão da indústria de celulose no interior de Mato Grosso do Sul redefine a economia regional, impulsiona empregos e consolida o Estado como líder nacional do setor
Por: Nathália Santos
A interiorização da indústria brasileira ganhou um novo capítulo nos últimos anos com a consolidação do chamado “Vale da Celulose” em Mato Grosso do Sul. Longe dos grandes centros industriais tradicionais, municípios do interior passaram a receber investimentos bilionários, redesenhando suas economias e colocando o Estado no centro da produção global de celulose.
Hoje, a celulose não apenas integra a matriz produtiva sul-mato-grossense. Ela se tornou o principal motor de crescimento econômico do Estado.
UM NOVO EIXO INDUSTRIAL NO INTERIOR

Historicamente dependente do agronegócio, Mato Grosso do Sul encontrou na cadeia florestal uma estratégia de diversificação econômica. A combinação de clima favorável ao cultivo de eucalipto, disponibilidade de terras e logística estratégica atraiu gigantes globais do setor.
Atualmente, o Estado já abriga operações consolidadas da Eldorado Brasil e da Suzano, com fábricas em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo. Essas unidades somam milhões de toneladas de capacidade produtiva anual e posicionam o Estado entre os maiores produtores mundiais.
Além das plantas já em funcionamento, uma nova onda de investimentos reforça o processo de interiorização industrial:
• A chilena Arauco constrói, em Inocência, aquela que deve ser a maior fábrica de celulose do mundo em linha única
• A Bracell prepara a implantação de uma unidade em Bataguassu
• A Eldorado também projeta expansão da sua capacidade nos próximos anos
Esse conjunto de empreendimentos consolida uma mudança estrutural. A indústria pesada deixa os grandes centros urbanos e passa a se instalar em cidades médias e pequenas do interior.
IMPACTO DIRETO NAS ECONOMIAS LOCAIS

Os efeitos dessa interiorização são profundos e visíveis. Municípios como Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo e, mais recentemente, Inocência e Bataguassu, experimentam crescimento acelerado em emprego, renda e infraestrutura.
Segundo estimativas recentes, o setor de celulose deve gerar cerca de 93 mil empregos até 2032 em Mato Grosso do Sul, sendo aproximadamente:
• 24 mil empregos diretos
• 69 mil empregos indiretos
Durante a fase de construção, os impactos são ainda mais intensos:
• A obra da Arauco pode empregar até 14 mil trabalhadores
• A Bracell deve gerar cerca de 12 mil empregos no pico das obras
Esse dinamismo aquece não apenas o mercado de trabalho industrial, mas também setores como comércio, serviços, habitação e transporte, criando um efeito multiplicador típico de grandes projetos industriais.
O PROTAGONISMO DA CELULOSE NA ECONOMIA ESTADUAL
Dados da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação indicam que Mato Grosso do Sul caminha para se tornar líder nacional na produção e exportação de celulose. O Estado já possui:

• Cerca de 1,4 milhão de hectares de florestas plantadas
• Projeção de atingir 2 milhões de hectares nos próximos anos
Além disso:
• O Estado responde por cerca de 24 por cento da produção nacional de celulose
• Pode concentrar mais de 70 por cento da expansão da produção brasileira na próxima década
• Os investimentos previstos no setor podem chegar a até 131 bilhões de reais até 2030
Esses números confirmam o protagonismo da cadeia florestal, que hoje se posiciona como o carro chefe da economia sul-mato-grossense, superando atividades tradicionais em geração de valor e atração de investimentos.
TRANSFORMAÇÃO E DESAFIOS
A interiorização da indústria de celulose não se limita ao crescimento econômico. Ela também promove mudanças estruturais nas cidades, exigindo planejamento urbano, qualificação de mão de obra e expansão de serviços públicos.
Entre os principais desafios estão:
• Escassez de trabalhadores qualificados
• Pressão sobre infraestrutura urbana
• Necessidade de ampliação de serviços públicos
Ao mesmo tempo, o avanço da cadeia florestal estimula políticas de capacitação e fortalece parcerias entre empresas, governo e instituições de ensino, consolidando um novo perfil econômico para o interior do Estado.
UM NOVO MAPA INDUSTRIAL
O caso de Mato Grosso do Sul ilustra uma tendência mais ampla da economia brasileira, a descentralização industrial. No Estado, porém, esse movimento ganha escala global.
Com a presença de gigantes como Suzano e Eldorado Brasil, e a chegada de novos projetos de Arauco e Bracell, o interior sul-mato-grossense deixa de ser apenas fornecedor de matéria-prima e passa a ocupar posição estratégica na indústria mundial de base florestal.




