30.2 C
Três Lagoas
quarta-feira, 8 de abril de 2026

Etanol pode virar saída para Agro de MS diante da crise no Estreito de Ormuz

Representantes do agronegócio brasileiro discutiram nesta quarta-feira em São Paulo as possibilidades do setor

Mato Grosso do Sul tenta transformar um cenário global adverso em oportunidade e se consolida como um dos principais polos de produção de etanol de milho e cana-de-açúcar. Durante o seminário LIDE Agronegócio, em São Paulo (SP), nesta quarta-feira, a escalada de tensões no Estreito de Ormuz, que pressiona os custos de fertilizantes e combustíveis no Brasil, acabou com um dos principais temas de  lideranças do setor.

Responsável por escoar cerca de 30% do petróleo mundial, o estreito teve o fluxo comercial afetado por ataques e restrições de navegação relacionados ao conflito entre Irã e Estados Unidos, com impacto direto na cadeia global de energia e insumos agrícolas.

Na avaliação de especialistas, esse ambiente de instabilidade abre espaço para o fortalecimento dos biocombustíveis como alternativa estratégica, tanto do ponto de vista energético quanto econômico. Em Mato Grosso do Sul, o movimento já aparece nos números. O Estado registra produção recorde de etanol e se posiciona como referência nacional em bioenergia, com projeção de quase 5 bilhões de litros na safra 2025/2026, impulsionada principalmente pelo etanol de milho e pelos incentivos do RenovaBio.

A ex-ministra e senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmou no evento que o agro brasileiro recebe acusações “que não correspondem à realidade” em relação aos defensivos agrícolas. Segundo ela, o Brasil utiliza cerca de 50% desses insumos, enquanto a Europa emprega aproximadamente 30% — uma diferença que considera relativamente pequena.

“A guerra afeta toda a cadeia, do produtor ao consumidor. Às vezes, estamos minimizando o impacto de um conflito que ocorre a milhares de quilômetros, mas que já chegou ao Brasil e influencia diretamente o nosso mercado”, disse.

Ela acrescentou que “o agronegócio, mais uma vez, poderá responder a essa demanda”.

Estados produtores

Heitor Cantarella, diretor do Centro de Solos e Recursos Ambientais do IAC (Instituto de Agricultura de Campinas), afirmou que os impactos da atual crise sobre o agronegócio brasileiro tendem a variar entre regiões e cadeias produtivas, com efeitos já perceptíveis em áreas específicas.

“Os estados produtores de grãos, por exemplo, vão ter o impacto do fornecimento de fertilizantes. Felizmente o impacto agora vai ser amortecido porque agora a maior demanda está sendo pelos países do Hemisfério Norte que estão plantando agora.”

Segundo ele, o calendário agrícola brasileiro contribui para mitigar, no curto prazo, parte dessas pressões, uma vez que a próxima safra de verão começa apenas em setembro.

“A safra de verão do Brasil começa em setembro, então até lá provavelmente a gente vai ter um amortecimento. Mas a gente viu os produtores do Rio Grande do Sul que estão colhendo agora que já estavam com problema de abastecimento de diesel, ou não encontrando o diesel, então encontrando o diesel com preços muito altos.”

Ele avaliou que, apesar de diferenças regionais, os efeitos tendem a se espalhar por diversas cadeias, incluindo logística e exportações, que dependem diretamente de frete e combustíveis.

“Mas eu diria que o impacto é generalizado. Nós temos também as cadeias de exportação que dependem de frete, enfim. Eu acho que alguns estados produtores vão ser mais impactados que outros, outros não.”

Cantarella destacou ainda que, em meio às dificuldades, alguns setores podem se beneficiar, como o de biocombustíveis, especialmente em estados com forte produção de etanol.

“O Brasil quer fazer o etanol uma forma internacional e nós estamos tendo agora uma oportunidade ímpar de convencer outros produtores, outros países produtores de cana de açúcar, a se dedicarem a etanol, a produção de etanol. Tem mais de 100 países no mundo que cultivam cana de açúcar e não são muitos os que produzem etanol, então essa é uma oportunidade para o Brasil, para a agroindústria brasileira, de firmar o etanol como um combustível estrategicamente importante pra essas questões de crise.”

Fonte: Campo Grande News (por Guilherme Correia, de São Paulo)

Leia também

Últimas

error: Este Conteúdo é protegido! O Perfil News reserva-se ao direito de proteger o seu conteúdo contra cópia e plágio.