Promotor de Justiça do Meio Ambiente de Três Lagoas recebe denúncia anônima com imagens chocantes e pede ajuda da população para identificar os responsáveis por crime ambiental
A indignação tomou conta do promotor de Justiça do Meio Ambiente da comarca de Três Lagoas, Antônio Carlos Garcia de Oliveira, ao assistir a vídeos recebidos por meio de denúncia anônima. As imagens são perturbadoras e revelam um ato de extrema crueldade contra um filhote de tamanduá-bandeira.
No registro, um homem — sem camisa e usando boné — agride violentamente o animal indefeso. Ele desfere golpes, atinge a cabeça do filhote e, em um ato ainda mais brutal, arremessa o pequeno corpo com força à distância. Durante a gravação, uma segunda voz, possivelmente de um comparsa, chega a incentivar a violência, exaltando a “coragem” do agressor. No entanto, em meio à barbárie, o próprio interlocutor demonstra um momento de contradição ao exclamar: “coitado do bicho!”.
Mesmo sob brutal agressão, o animal ainda esboçou uma reação, utilizando as unhas para se defender e chegando a perfurar o braço do agressor.
RANCHO DE ALTO PADRÃO
O cenário onde ocorre a agressão aparenta ser um rancho de alto padrão, com casa estilo sobrado, piscina e jardim bem cuidado. Na garagem, é possível ver uma caminhonete azul escura, semelhante a uma Saveiro. Ainda não há confirmação exata da localização, podendo o fato ter ocorrido em outra região ou até mesmo em outro estado. Contudo, independentemente do local, trata-se de um crime ambiental grave, que deve ser rigorosamente punido em qualquer parte do país.
Após as agressões, o animal permanece imóvel, possivelmente desacordado ou já sem vida, o que intensifica ainda mais a gravidade da situação.
LEI DE CRIMES AMBIENTAIS
De acordo com a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), práticas como maus-tratos, caça e exploração de animais silvestres são passíveis de punição com multa e detenção. A legislação também proíbe a perseguição, captura ou utilização de espécies nativas sem autorização, prevendo pena de seis meses a um ano de prisão, além de sanções financeiras.
MOBILIZAÇÃO DA SOCIEDADE
O promotor recebeu dois vídeos contendo as cenas e ressalta que há indícios de que o crime possa ter ocorrido em uma pousada na região de Três Lagoas. Diante disso, ele faz um apelo direto à população: qualquer pessoa que reconheça os envolvidos ou tenha informações relevantes deve entrar em contato com urgência pelo telefone (67) 99965-4987.
A mobilização da sociedade é essencial para que esse ato de violência não fique impune — e para que a justiça seja feita em nome de um animal que não teve qualquer chance de defesa.




