Com investimentos bilionários na indústria florestal e crescimento das exportações agropecuárias, Mato Grosso do Sul fortalece posição no cenário nacional e amplia relevância na economia global do agro
Por: Nathália Santos
O avanço da celulose transformou Mato Grosso do Sul em um dos principais protagonistas da nova economia do agronegócio brasileiro. Tradicionalmente reconhecido pela força da soja e da pecuária, o estado agora consolida também sua posição estratégica na indústria de base florestal, impulsionando exportações, atraindo investimentos bilionários e ampliando sua participação na balança comercial do país.
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA/USP) e do Ministério da Agricultura mostram que Mato Grosso do Sul está entre os maiores produtores agropecuários do Brasil, ocupando a 7ª posição nacional no Valor Bruto da Produção (VBP), com movimentação estimada em cerca de R$ 78 bilhões. A liderança continua concentrada em estados como Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo e Paraná, mas MS aparece entre os estados que mais crescem no agro brasileiro.
Além da produção recorde de grãos e proteína animal, a expansão da celulose passou a alterar o perfil econômico do estado nos últimos anos. O setor florestal, que há cerca de duas décadas ainda tinha participação tímida na economia sul-mato-grossense, hoje figura entre os segmentos mais promissores das exportações brasileiras.
Mato Grosso do Sul ganha espaço entre os principais produtos exportados do Brasil
Levantamento mais recente da Semadesc aponta que os principais produtos exportados por Mato Grosso do Sul atualmente são:

* soja;
* celulose;
* carne bovina;
* farelo de soja;
* carne de aves;
* milho.
O desempenho coloca o estado diretamente ligado aos principais produtos da pauta exportadora brasileira em 2025 e evidencia a força da economia sul-mato-grossense no cenário internacional.
No ranking nacional das exportações brasileiras:
* a soja lidera com movimentação entre US$ 43 bilhões e US$ 45 bilhões;
* a carne bovina aparece entre US$ 17 bilhões e US$ 18 bilhões;
* o farelo de soja movimenta entre US$ 10 bilhões e US$ 12 bilhões;
* o milho registra exportações entre US$ 10 bilhões e US$ 13 bilhões;
* e a celulose já ocupa a 8ª posição entre os produtos mais exportados do país, com movimentação entre US$ 10 bilhões e US$ 12 bilhões.
Nesse cenário, Mato Grosso do Sul ocupa posição estratégica principalmente na celulose, sendo atualmente o principal estado produtor do país. O chamado Vale da Celulose, formado por municípios como Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo e Inocência, concentra alguns dos maiores investimentos industriais em andamento no Brasil. O mais simbólico é a velocidade dessa transformação.
Enquanto cadeias tradicionais como soja, milho e carne bovina levaram décadas para atingir o protagonismo atual, a celulose ganhou força em menos de 20 anos e já se consolidou como um dos produtos mais relevantes da pauta exportadora brasileira. Mato Grosso do Sul está no centro desse avanço.
A expansão do setor elevou significativamente a participação da indústria florestal na economia estadual. Além de ampliar exportações, a cadeia produtiva da celulose vem impulsionando geração de empregos, arrecadação, urbanização e demanda por infraestrutura logística.

O crescimento acompanha a própria evolução do agronegócio sul-mato-grossense. Atualmente, o estado se destaca nacionalmente:
* na produção de soja;
* milho;
* carne bovina;
* proteína animal;
* e florestas plantadas.
A combinação entre produtividade agrícola, disponibilidade de terras, segurança hídrica e localização estratégica fortalece Mato Grosso do Sul como um dos principais corredores de exportação do agro brasileiro.
Especialistas avaliam que o estado vive um novo ciclo econômico impulsionado pela industrialização do agro. A celulose ampliou o nível de agregação de valor da produção primária, transformando Mato Grosso do Sul em referência nacional em bioeconomia e indústria de base renovável. Porque hoje o estado não exporta apenas matéria-prima.
Mato Grosso do Sul exporta:
* alimentos;
* proteína animal;
* energia;
* madeira cultivada;
* celulose;
* e produtos industrializados ligados ao agro.
Isso altera o posicionamento econômico do estado no mercado global. Apesar do cenário positivo, o crescimento acelerado também evidencia gargalos estruturais. O setor produtivo aponta necessidade de ampliação ferroviária, melhorias em rodovias, expansão da armazenagem e redução dos custos logísticos para acompanhar o aumento da demanda internacional.
Outro desafio está no financiamento da expansão produtiva. Mesmo com forte entrada de capital privado, produtores e empresas ainda enfrentam juros elevados e limitações no acesso a crédito de longo prazo.
Com isso, Mato Grosso do Sul reúne hoje características consideradas estratégicas para o mercado global:
* capacidade de expansão;
* produção em escala;
* segurança alimentar;
* disponibilidade hídrica;
* energia;
* e produção renovável.
Com a demanda internacional crescente por alimentos, proteína animal e produtos de base florestal, a tendência é que Mato Grosso do Sul amplie ainda mais sua relevância econômica nos próximos anos.







