Evento reuniu gestores, profissionais, estudantes e órgãos reguladores para discutir redução de desigualdades, qualificação dos serviços e atualização das normas sanitárias
Com foco na redução das barreiras de acesso e das iniquidades em saúde, o 2º Encontro Estadual de Saúde Bucal reuniu, em Campo Grande, coordenadores municipais, profissionais da área, estudantes de Odontologia, representantes da Vigilância Sanitária e instituições parceiras para debater estratégias de qualificação da assistência odontológica em Mato Grosso do Sul.
Promovido pela SES (Secretaria de Estado de Saúde), o encontro trouxe especialistas de diferentes regiões do país para discutir temas relacionados às populações em situação de vulnerabilidade, além de promover atualização técnica sobre a nova regulamentação sanitária para serviços odontológicos.
Saúde bucal e redução das desigualdades
A programação foi construída para ampliar o debate sobre equidade e acesso aos serviços de saúde bucal, abordando temas como atendimento à população indígena, população LGBTQIA+, violência contra a mulher e os impactos das diferentes formas de violência no contexto odontológico.
Segundo o coordenador de Saúde Bucal da SES, Lucas Moura, a proposta foi estimular a reflexão sobre os desafios enfrentados por grupos historicamente mais vulneráveis.
“Trouxemos temas voltados à redução das barreiras de acesso e das iniquidades em saúde, buscando aprimorar os serviços públicos e qualificar o atendimento às populações que mais necessitam”, destacou.
O evento contou com apoio da SEMADESC (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), do CRO (Conselho Regional de Odontologia de Mato Grosso do Sul) e da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).
Integração entre assistência, formação e vigilância
Além dos profissionais que já atuam nos serviços de saúde, o encontro também reuniu estudantes de graduação em Odontologia, fortalecendo a formação dos futuros profissionais.
Para a assessora técnica da Coordenação-Geral de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, Bethânia Lopes, iniciativas como essa contribuem para aproximar teoria e prática.
“Esses encontros promovem atualização profissional, troca de experiências e ajudam a construir uma linguagem comum entre quem já atua nos serviços e aqueles que estão em formação”, afirmou.



A presidente do CRO-MS, Silvânia Silvestre, destacou a participação dos municípios e a relevância dos temas debatidos.
“Mais do que transmitir conhecimento, o encontro amplia o olhar dos profissionais sobre diferentes realidades e contribui para melhorar a qualidade do atendimento prestado à população”, ressaltou.
Saúde indígena em foco
A redução das desigualdades no acesso à saúde bucal também foi debatida sob a perspectiva da população indígena, considerada uma das mais vulneráveis em relação aos serviços de saúde.
O responsável técnico de Saúde Bucal do DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena), Henrique Cristóvomo, ressaltou que o encontro fortalece a articulação entre instituições e amplia as possibilidades de atuação conjunta nos territórios.
“O principal legado é o fortalecimento das parcerias e das ações integradas. Essa articulação é fundamental para que as políticas públicas sejam efetivas nas comunidades indígenas”, afirmou.
Nova RDC orienta atualização dos serviços odontológicos
Um dos destaques da programação foi a integração entre a Saúde Bucal e a Vigilância Sanitária para discutir a implementação da RDC nº 1002/2025, norma que estabelece novos requisitos para os serviços odontológicos.
A especialista em Regulação e Vigilância Sanitária da Anvisa, Ana Clara dos Santos, apresentou os conceitos de gerenciamento de risco que fundamentaram a construção da resolução.
“A norma traz requisitos gerais voltados à segurança do paciente e à qualificação dos serviços odontológicos, reforçando a adoção de práticas cada vez mais seguras nos estabelecimentos de saúde”, explicou.
A atualização reuniu fiscais municipais da Vigilância Sanitária de diversas regiões do estado.
Padronização e segurança para os pacientes
Para os profissionais da Vigilância Sanitária, a capacitação representa um avanço na busca por maior uniformidade nos processos de fiscalização.
Delegado do CRO-MS e fiscal sanitário de Dourados, Átila Calumby destacou que a discussão sobre a RDC atende a uma demanda antiga dos profissionais da área.
“Precisávamos construir uma fiscalização mais padronizada em Mato Grosso do Sul. Ter profissionais de diferentes municípios discutindo as mesmas normas e critérios representa um avanço importante para a qualidade dos serviços”, avaliou.
Segundo ele, a participação das instituições de ensino também é estratégica para que os futuros profissionais compreendam desde a graduação a importância da segurança do paciente, da prevenção e do fortalecimento do SUS (Sistema Único de Saúde).
André Lima, Comunicação SES











