Miguel Cadini atravessou três décadas de transformação e se tornou testemunha da revolução florestal que mudou para sempre a história de Três Lagoas e de Mato Grosso do Sul
Quando Miguel Tadeu Gonçalves Cadini tinha apenas 15 anos, caminhava admirado pelos hortos florestais de Mogi Guaçu (SP), observando de longe aquela que era a maior empresa da cidade: a Champion Papel e Celulose. Filho de uma família simples, enxergava naquele cenário algo muito maior do que árvores e fábricas. Via ali um sonho de futuro.
Naquela época, tudo parecia distante. Mas havia uma convicção silenciosa dentro dele: um dia faria parte daquela história.
O SONHO QUE ATRAVESSOU GERAÇÕES
Mais de três décadas depois, Miguel não apenas realizou o sonho de trabalhar na empresa que admirava na adolescência, como também se tornou uma das testemunhas vivas da revolução florestal que transformou Três Lagoas e Mato Grosso do Sul em referência mundial na produção de celulose.

Sua trajetória profissional se mistura com a própria evolução do setor na região. Das estradas de terra sem infraestrutura até o atual complexo industrial reconhecido internacionalmente, Miguel acompanhou — e ajudou a construir — cada capítulo dessa transformação.
Formado em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), uma das instituições mais respeitadas do país na área, ele persistiu durante 12 anos entre o nascimento do sonho e a conquista da vaga na Champion. Ainda estudante, aproveitava as férias da graduação para estagiar na empresa que tanto admirava. Após concluir o curso, foi contratado para atuar em Mogi Guaçu, tornando-se o primeiro engenheiro florestal da Champion nascido na cidade.
“Foi a realização de um sonho. Algo marcante e impossível de esquecer”, relembra emocionado.
QUANDO TRÊS LAGOAS AINDA ERA APENAS UMA PROMESSA
Mas o destino ainda reservava um desafio ainda maior.
Quatro anos depois, Miguel recebeu a missão de vir para Três Lagoas para ajudar na implantação da base florestal que sustentaria um futuro projeto industrial. Naquele momento, ninguém imaginava a dimensão do que estava por nascer.

“O projeto inicial era uma fábrica de papel de 500 mil toneladas voltada para o Mercosul. Era impossível imaginar o tamanho que isso se tornaria”, recorda.
Na época, plantar 5 mil hectares de eucalipto por ano era considerado um feito histórico. Hoje, somente a Suzano planta entre 70 mil e 80 mil hectares anuais. Os números ajudam a dimensionar a grandiosidade da transformação vivida pelo setor nas últimas décadas.
DAS ESTRADAS DE TERRA AO MAIOR POLO DE CELULOSE DO PAÍS
Quando chegou a Mato Grosso do Sul, Miguel encontrou uma realidade completamente diferente da atual. Não havia internet, as estradas eram precárias e as viagens até as fazendas se transformavam em verdadeiras expedições, principalmente no período de chuvas.
“Hoje fazemos trajetos aos hortos florestais em 40 minutos. Naquela época, se chovesse, levávamos até três horas. Era uma aventura”, relembra.
Mesmo diante das dificuldades, o entusiasmo falava mais alto. O setor crescia rapidamente, novas oportunidades surgiam e milhares de famílias começavam a construir uma nova vida impulsionadas pela cadeia da celulose.
Ao longo da carreira, Miguel acompanhou todas as transformações corporativas do segmento: Chamflora, Champion, International Paper, Votorantim Celulose e Papel (VCP), Fibria e, finalmente, Suzano. Em cada fase, participou diretamente de projetos estratégicos, expansão das áreas florestais, negociações, arrendamentos e desenvolvimento da cadeia produtiva.
O LEGADO DE UMA VIDA DEDICADA À FLORESTA

Mas, para ele, o maior legado não está apenas nos números ou nos investimentos bilionários.
“O setor florestal mudou vidas. Não apenas de quem trabalhava dentro da empresa, mas também das comunidades, dos vizinhos e das famílias inteiras que encontraram oportunidades de crescimento”, afirma.
Segundo Miguel, a chegada da celulose trouxe qualificação profissional, renda, infraestrutura e desenvolvimento social para toda a região. Pessoas vindas de diferentes estados encontraram em Três Lagoas a chance de recomeçar — exatamente como aconteceu com ele.
RAÍZES FINCADAS EM MATO GROSSO DO SUL

E foi também em Mato Grosso do Sul que ele construiu sua família.
Solteiro quando chegou à cidade, conheceu em Três Lagoas a esposa Yuu, com quem está casado há 23 anos. Juntos, formaram uma família e tiveram dois filhos três-lagoenses.

“Essa cidade me acolheu. Aqui construí minha carreira, minha família e minha história”, diz emocionado.
“NUNCA DESISTAM”
Hoje, aos 56 anos e com mais de 30 anos dedicados ao setor florestal, Miguel olha para trás com orgulho da caminhada construída. Participou da criação da Reflore — entidade que se tornou referência no desenvolvimento florestal em Mato Grosso do Sul — e ajudou a consolidar uma atividade que transformou definitivamente a economia regional.
Confira a entrevista completa:
Ao final da entrevista, ele deixa uma mensagem simples, mas carregada de significado para as novas gerações que sonham em construir carreira no setor de celulose: “Nunca desistam. O setor está crescendo, gera oportunidades e valoriza pessoas comprometidas. Quem estuda, se prepara e acredita no próprio sonho encontra espaço para crescer.”
A história do gerente de Negócios Florestais da Suzano é mais do que uma trajetória profissional. É o retrato de uma geração que acreditou no potencial de Mato Grosso do Sul quando tudo ainda era apenas um projeto no papel. Uma história construída com coragem, persistência e trabalho duro — e que continua inspirando novos sonhos no coração do Vale da Celulose.






