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quinta-feira, 28 de maio de 2026

IFMS recebe R$ 2 milhões para energia solar e laboratórios

Recursos da Itaipu Binacional vão beneficiar os campi Dourados, Naviraí, Nova Andradina e Ponta Porã com coberturas de estacionamento fotovoltaicas e insumos científicos

O Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) foi contemplado no processo de seleção do Edital Energias Renováveis IPES/2025, promovido pela Itaipu Binacional dentro do programa ‘Itaipu Mais Que Energia’. A instituição garantiu um aporte de R$ 2.066.689,85, que será integralmente revertido para a instalação de novas usinas fotovoltaicas e a modernização de laboratórios de pesquisa.

O investimento vai beneficiar diretamente quatro campi localizados na região sul do estado: Dourados, Naviraí, Nova Andradina e Ponta Porã.

A assinatura oficial do Plano de Ações (Instrumento de Repasse nº 31968/IPES-2025) ocorreu no último dia 21 de maio, no Teatro da Reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba. O evento contou com a participação do pró-reitor de Pesquisa, Inovação e Pós-Graduação do IFMS, Edvanio Chagas, além de representantes das quatro unidades contempladas.

O IFMS integra um grupo de 15 instituições públicas de ensino do Paraná e de Mato Grosso do Sul selecionadas pelo edital, que distribuiu recursos para fomento à transição energética.

“Nos campi Naviraí Centro e Rural, contemplados com o maior volume por ainda não gerarem energia própria, estima-se uma economia mensal entre R$ 14 mil e R$ 17 mil nas despesas com eletricidade. Já nos campi Dourados, Nova Andradina e Ponta Porã, que receberão ampliações de usinas, a economia estimada ficará entre R$ 2,5 mil e R$ 3,5 mil por mês em cada unidade”, explica o pró-reitor de pesquisa, Edvanio Chagas.

Distribuição dos recursos 

A divisão dos recursos entre as unidades do IFMS foi baseada em critérios técnicos após vistorias preliminares realizadas pela própria Itaipu Binacional para avaliar o potencial e a estrutura de cada campus.

O diagnóstico identificou que, das quatro unidades do sul do estado inseridas na área de abrangência do edital, apenas o Campus Naviraí ainda não contava com geração solar própria.

Por esse motivo, Naviraí absorveu a maior parte do investimento destinado à infraestrutura energética: R$ 832.600,00. O recurso financiará duas usinas que somam 238 kWp de potência, divididas em sistemas do tipo carport (coberturas de estacionamento), telhado e solo, totalizando cerca de 340 painéis solares. Para se ter uma dimensão prática, essa potência é suficiente para abastecer simultaneamente mais de 150 residências de médio porte.

Já os campi Dourados, Nova Andradina e Ponta Porã, que já possuíam sistemas fotovoltaicos operando, receberão R$ 185.000,00 cada um para a ampliação da capacidade existente. O projeto prevê a instalação de uma usina adicional de 50 kWp do tipo carport por unidade, o que equivale a 70 novos painéis cobrindo cerca de 20 vagas de veículos em cada localidade.

“Nos campi Naviraí Centro e Rural, contemplados com o maior volume por ainda não gerarem energia própria, estima-se uma economia mensal entre R$ 14 mil e R$ 17 mil nas despesas com eletricidade. Já nos campi Dourados, Nova Andradina e Ponta Porã, que receberão ampliações de usinas, a economia estimada ficará entre R$ 2,5 mil e R$ 3,5 mil por mês em cada unidade”, explica Edvanio.

CampusLinha de Atendimento / DestinaçãoTipo de Estrutura / PotênciaValor por Atividade (R$)Total por Campus (R$)
NaviraíSistema de Geração Fotovoltaica (Energia)Carport (178 kWp)
Telhado (40 kWp)
Cobertura (20 kWp)
R$ 658.600,00
R$ 100.000,00
R$ 74.000,00
R$ 832.600,00
Nova AndradinaSistema de Geração Fotovoltaica (Energia)
Equipamentos e Insumos (Pesquisa)
Carport (50 kWp)
Laboratório de Energias Renováveis
R$ 185.000,00
R$ 679.089,85
R$ 864.089,85
DouradosSistema de Geração Fotovoltaica (Energia)Carport (50 kWp)R$ 185.000,00R$ 185.000,00
Ponta PorãSistema de Geração Fotovoltaica (Energia)Carport (50 kWp)R$ 185.000,00R$ 185.000,00
TOTAL388 kWp (Energia) + 1 Projeto (Pesquisa)R$ 2.066.689,85

Fomento à pesquisa local 

Como o custeio de tarifas elétricas é pago diretamente com o orçamento discricionário de funcionamento de cada campus, a redução permanente desse gasto fixo gera um efeito multiplicador interno.

A economia mensal consolidada em Mato Grosso do Sul permitirá que a reitoria e as direções locais remanejem as verbas antes gastas com concessionárias de energia para o financiamento de serviços de manutenção predial, contratos terceirizados e fortalecimento das políticas de assistência estudantil e alimentação escolar.

Além da eficiência energética na Linha 1 do edital, o IFMS captou R$ 679.089,85 na Linha 3, voltada à modernização de laboratórios acadêmicos. O teto para essa submissão foi balizado pelo Índice Geral de Cursos (IGC) do Ministério da Educação (MEC), no qual o IFMS possui conceito 3, enquadrando-se no Perfil 1 da seleção, cujo limite regulamentar era de até R$ 800 mil.

“O limite orçamentário do nosso perfil, estabelecido em razão do conceito IGC 3 obtido pelo IFMS junto ao MEC, foi perfeitamente suficiente para contemplar e aprovar todos os valores planejados originalmente na proposta de pesquisa apresentada pelo Campus Nova Andradina”, diz Edvanio. 

O montante foi destinado integralmente ao Campus Nova Andradina, única unidade da região sul que já possuía projetos de pesquisa e extensão consolidados em energia solar fotovoltaica voltada ao ambiente rural. Os novos insumos e equipamentos laboratoriais permitirão avaliar a eficiência de painéis sob a influência de fatores climáticos reais e o impacto da sujidade nos módulos solares.

Edvanio Chagas pontua como o perfil acadêmico do instituto viabilizou a aprovação integral da verba de pesquisa.

“O limite orçamentário do nosso perfil, estabelecido em razão do conceito IGC 3 obtido pelo IFMS junto ao MEC, foi perfeitamente suficiente para contemplar e aprovar todos os valores planejados originalmente na proposta de pesquisa apresentada pelo Campus Nova Andradina”, diz. 

Fluxo e prazos 

De acordo com o Plano de Ações homologado, a execução financeira e a realização dos processos licitatórios ficarão a cargo da Fundação de Apoio à Educação e ao Desenvolvimento Tecnológico do Rio Grande do Norte (FUNCERN), entidade executora do projeto. A fiscalização técnica e a liberação gradual das parcelas financeiras serão geridas operacionalmente pela Caixa Econômica Federal.

O instrumento jurídico fixa um prazo total de vigência de 24 meses (oito trimestres) para a conclusão de todas as metas. O cronograma oficial estabelece que o primeiro ano (do 1º ao 4º trimestre) será ocupado com a entrega das documentações técnicas e a tramitação dos processos formais de contratação de fornecedores. As obras e instalações físicas nos campi estão previstas para ocorrer entre o 2º e o 7º trimestre, reservando-se os últimos três meses para o encerramento e a prestação de contas.

Um dos fatores regulatórios que impedem o início imediato das obras é a necessidade de aprovação individual de engenharia junto à concessionária local, a Energisa MS. Como o edital da Itaipu veda sistemas isolados por baterias (off-grid), todas as novas usinas do IFMS operarão conectadas à rede pública (on-grid), exigindo o cumprimento estrito do Marco Legal da Geração Distribuída (Lei nº 14.300/2022).

“O prazo de 24 meses do edital é suficiente, mas o processo exige etapas complexas, como a aprovação dos projetos executivos na Energisa, que pode levar até 120 dias, além das licitações e das obras em si. Não há como realizar um alinhamento prévio com a concessionária, pois ela precisa seguir rigorosamente os trâmites regulatórios previstos pela Aneel após a submissão formal dos projetos”, esclarece Edvanio.

Itaipu Mais Que Energia 

A destinação de recursos para a infraestrutura acadêmica e científica integra o escopo macro do programa ‘Itaipu Mais Que Energia‘, lançado pela Itaipu Binacional com o objetivo de fortalecer ações socioambientais ligadas à segurança hídrica, ao desenvolvimento territorial e à transição energética.

O programa atua em uma área de abrangência que compreende 434 municípios, englobando a totalidade das cidades do estado do Paraná e 35 municípios da região sul de Mato Grosso do Sul.

Além do edital específico voltado para as Instituições Públicas de Ensino Superior e Técnico (IPES), que nesta seleção vai beneficiar 91 campi com a instalação de 16,5 megawatts (MW) em painéis fotovoltaicos, a iniciativa institucional atende prefeituras, hospitais públicos e comunidades tradicionais por meio de frentes integradas de saneamento ambiental, manejo de água e solo, e obras de infraestrutura comunitária.

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