Aos 59 anos, o experiente comunicador foi vítima de um infarto fulminante, deixando em choque colegas, autoridades e ouvintes da cidade
Nesta quarta-feira (22), Três Lagoas foi pega de surpresa por uma notícia que interrompeu a rotina e deixou um nó na garganta de toda a comunidade.
Antes mesmo que o sol inclinasse seus primeiros raios sobre as águas do grande rio ou iluminasse o vaivém do centro comercial, o som familiar que costumava dar o tom do início do dia não veio. Há mais de 40 anos, esse momento vinha acompanhado de uma presença serena, de um cumprimento afável e de uma voz que se tornou parte do cotidiano de milhares de três-lagoenses. Hoje, contudo, o dial não respondeu como de costume. O programa Pantanal Notícias, na Rádio Pantanal FM, não foi ao ar. E foi nessa ausência atípica que o silêncio falou mais alto.
Para quem faz a imprensa, a rotina é marcada por histórias alheias — narramos tragédias, vitórias, mudanças e o cotidiano da comunidade. Mas há dias em que a notícia nos atinge no peito, enlutando a própria casa. A perda do radialista e jornalista Adilson Silva, aos 59 anos, é um desses golpes dolorosos. Nós, da imprensa de Três Lagoas, perdemos não apenas um colega de profissão, mas uma referência de dedicação, ética e generosidade.
Adilson era a antítese do ritmo frenético e por vezes impessoal do jornalismo moderno. Homem de hábitos saudáveis e postura irrepreensível, ele não bebia, não fumava e trazia na simplicidade o seu maior valor. Figura icônica no cenário urbano, era tido por todos como um andarilho incansável da cidade: gostava de caminhar a pé pelas ruas, encarando a vida passo a passo, cumprimentando conhecidos e desconhecidos com a mesma cordialidade respeitosa que o caracterizava nos microfones.
Sua partida repentina, vítima de um infarto fulminante em sua residência na manhã desta quarta-feira, pegou a todos de surpresa. O choque atravessou redações, gabinetes e lares. Diante do não comparecimento do comunicador à emissora, familiares foram acionados e o encontraram já sem vida por volta das 12h30. A fragilidade da existência, mais uma vez, se impôs sem avisar, deixando estupefatos aqueles que, poucas horas antes, dividiam com ele ideias e sorrisos.
A comoção tomou conta das redes sociais e do meio político e comunitário. O presidente da Câmara Municipal, vereador Tonhão, expressou sua profunda tristeza ao relembrar os mais de 22 anos de convivência e parceria com Adilson, desde sua primeira eleição em 2004. “Ontem mesmo esteve em meu gabinete, como tantas outras vezes, sempre cordial, respeitoso e profissional. É difícil acreditar em sua partida tão repentina”, lamentou o parlamentar, que em ocasião anterior havia prestado homenagem a Adilson no legislativo por seus relevantes serviços prestados à comunicação local.
A vereadora Evalda Reis também prestou sua homenagem à memória do comunicador, ressaltando o carinho acumulado ao longo das décadas: “Sua partida nos deixa um vazio. Marcou a vida de tantas pessoas com sua amizade, seu profissionalismo e sua dedicação ao rádio e ao jornalismo. Sua memória permanecerá viva entre nós”.
Adilson Silva deixa sua companheira de muitos anos, familiares, amigos de redação e uma legião de ouvintes fieis. Ele nos deixa o legado de que a boa comunicação se faz, antes de tudo, com respeito humano, escuta atenta e pés no chão.
Três Lagoas segue seu ritmo, mas as calçadas por onde ele passava a pé hoje parecem um pouco mais silenciosas. Fica a saudade de quem soube honrar a profissão e o privilégio daqueles que puderam dividir o ar e a vida com Adilson Silva. Descanse em paz, meu caro colega.
Por: Augusta Rufino




