30/01/2007 07h59 – Atualizado em 30/01/2007 07h59
Foi-se o tempo em que o Brasil era considerado um céu aberto! Lembro-me do tempo de criança, quando sentada na varanda do rancho em que morava com meus pais e meus 15 irmãos, via meu pai chegar com carroça de palmito que trazia do mato para o sustento da família. Hoje, se um pai de família tirar um palmito do mato e o Ibama souber, vai preso, como foi um cidadão no Amazonas, quando tempos atrás tirava casca de uma árvore para fazer chá para sua esposa, que se encontrava enferma. Meus irmãos e eu, desde a adolescência aprendemos a dirigir pela necessidade de ajudar nas tarefas. Modéstia à parte, nos tornamos bons motoristas. Mas hoje, se formos pegos com CNH atrasada ou mesmo sem tê-la, levamos multa e até mesmo temos o veículo apreendido. Recentemente, vi um policial deter uma moça em uma motocicleta por não ter CNH. Pedi a ele para liberá-la e ele me disse que não, porque sem CNH estava pondo em risco a sua vida e das demais pessoas. Respondi-lhe que os que põem em risco são os filhinhos-de-papai que andam em alta velocidade com seus veículos, na maioria das vezes bêbados. Resultado: sem efeito o meu apelo pela moça e antes que sobrasse para mim, saí. À medida que ouço anunciar novo pacote do governo, novas leis, sinto um tremor dentro de mim. E começo a implorar a justiça de Deus, que é a única que foi elaborada com verdadeira justiça. Há uma ordem de Deus em Sl 82: “Defendei a causa dos fracos e dos órfãos e protegei os direitos do pobre e do oprimido, e não cometeis injustiça nos julgamentos, nas medidas de comprimento, de peso de capacidade” – Lv 19:35. Infelizmente, a maioria das leis terrenas tem dois pesos, duas medidas: um peso para lado do governo, outra para lado do povo. É claro que ambos são abomináveis para Deus. Vou citar só alguns exemplos aqui. A segurança alimentar de cestas básicas para as famílias carentes, no valor de R$ 100,00 foi cortada pelo atual governador, enquanto os suplentes de deputados, ao assumirem na Câmara Federal, só em salário com auxílio que inventaram para estufarem mais seus bolsos, em janeiro/2007 passou de R$ 87 mil. Veja e entenda: são 870 vezes os míseros R$ 100,00 que tiraram da boca do pobre. Essa pesou bem, no bolso deles, não? Recentemente, meu carro que usava para fazer a obra de Deus foi levado pela Polícia Federal, por demorar para transferir a documentação desde que comprei. Passados seis meses, o ex-dono do veículo foi preso pelo artigo 12 (tráfico de drogas) e tudo o que estava no nome dele foi confiscado, incluindo o meu carro, que comprei e paguei com dinheiro ganho honestamente. Recibo já preenchido e com firma reconhecida, não foi o suficiente para comprovação. O recibo datado e com firma reconhecida no cartório, válido quando temos que transferir o documento, serve apenas para pagarmos, sem perdão, uma multa de R$ 132,00. Pelo jeito isso só vale para nós. Tenho que gastar meu tempo com advogado e o que é pior, deixando de fazer a obra de Deus, porque a Igreja que cuido fica a 15 quilômetros daqui. No Departamento de Trânsito então, nem se fala. Para adquirir a CNH o preço é de R$ 300,00; se mudar de categoria, R$ 400,00. IPVA, licenciamento e seguro obrigatório de carro dificilmente custam menos do que R$ 250,00, isto de carro usado. Agora, inventaram mais um meio de ‘enxugar’ nossos bolsos: o ENGATE, e a multa é de R$ 127,00. Qual será o próximo? Do rastro do carro já pagamos (pedágios nas rodovias), só falta cobrar o rastro dos nossos sapatos. Será? Com todo esse envolvimento, no mundo sobre o planeta, acho que mais uma vez vai sobrar para o pobre. Tomara que eles não inventem de cobrar taxas pelo ar que respiramos também. Outra medida desigual é a questão da aposentadoria. Para exercer seu direito de se aposentar, um pobre trabalhador rural, por exemplo, mesmo tendo as mãos calejadas e a verdade no olhar, se não tiver papel comprovando recolhimentos pagos ou algum papel com firma reconhecida, com certeza lhe terá negado o direito à aposentadoria. Mas vemos que para os políticos não é difícil. Basta governar por duas gestões e está garantida a gorda aposentadoria, exemplo do nosso ex-governador do MS e outros. Pergunto aos doutores da lei, que elaboram e criam as leis terrenas: acaso algum de vós poderá medir com a concha das mãos as águas existentes na terra? Ou poderá tomar a medida dos céus aos palmos? Na hora de criarem as leis não olham para o Todo Poderoso, único juiz justo, para as elaborarem ao menos semelhante à lei de Deus, para não cometerem mais tantas injustiças. Na mão do cavaleiro negro, que está a serviço do Justo Juiz, está uma balança justa. Nela contém toda injustiça feita na terra, tais como o descaso com os necessitados, os maus tratos com os fracos, a corrupção dos que estão no poder para fazer justiça e não fazem. A cobrança abusiva nas taxas de água – porque pagamos por cada gota que usamos, apesar de virem da fábrica de Deus – as altas taxas de energia elétrica, sem falar no direito de ficar enterrado onde quer quando morre. Porque se não aparece ninguém para cuidar do túmulo, com o passar do tempo seus restos são retirados para dar a cova a outro que pode pagar. Isso sem falar do IPTU e vários outros fatores. Se eu fosse citar todos, faltaria papel. Quem nos dera se o dedo de Deus escrevesse novamente a esses ‘poderosos’ da terra o mesmo que escreveu a Belsazar: MENE, MENE, TEQUEL e PAZSIM. Um tempo atrás, eu até que admirava e acreditava na justiça terrena. Mas depois de observá-la melhor, me dá arrepios. Mesmo assim, lei é lei, temos que respeitá-la. Mas a uma conclusão cheguei: ninguém é dono de nada. E se alguém pensa ser alguma coisa, nada é. Do jeito que a coisa anda, quem tem muitos bens vai desejar não tê-los tido. Enfim, o Brasil é país livre? Livre do que mesmo? * Pastora da Igreja do Evangelho Quadrangular de Sanga Puitã, em Ponta Porã e Repórter-Fotográfica.



