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quarta-feira, 13 de maio de 2026

O Real e o Místico

15/01/2007 16h11 – Atualizado em 15/01/2007 16h11

Quando penso em dizer que te amo, o sentimento me foge do peito. Então, quando o crepúsculo anuncia o fim do dia, e enfastiado desabo-me sobre o leito macio do ócio, eu o reencontro. Quando penso em te dizer “Vai ser para todo o sempre!”, os ponteiros do relógio me arrancam os olhos e a vida. E é nesta insípida existência cheia de equívocos; repleta de convenções que impedem a “vida” de ser simplesmente vida, que o “Pra sempre” não me causa nenhum êxtase aos olhos. Quando a poesia me inunda a alma e a vontade de torná-la concreta quase me foge pelos dedos, me faltam papel e caneta. No real da vida o místico é loucura, que até mesmo para ser loucura, precisa estar lúcido de que os sonhos não pagam a luz e nem matam a fome.

Quando penso nos teus olhos e no teu sorriso, o mundo me cutuca os rins. Assim, atordoado, sou devorado pelo stress da rotina que torna os dias azedos e sem sentido. É possível viver sem matar a fome de misticismo do espírito? “Bobagem!”, me grita a realidade. Ou se sonha, ou se vive. Ou se ama, ou se morre. Quando penso em pensar em ti, nem mais o faço. Pois no meu mundo pensar é tempo, e tempo é dinheiro, e dinheiro é uma coisa que sempre me é ausente. Samuel Carlos Melo Castilho, 27 de outubro de 2006.

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